A Autoridade Nacional de Proteção Civil registou entre as 18:00 de terça-feira e as 07:00 desta quarta-feira 193 ocorrências relacionadas com o mau tempo, sendo Bragança, Viseu, Vila Real e Guarda os distritos mais afetados.

Em declarações à agência Lusa cerca das 07:00, o comandante operacional da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), Paulo Santos adiantou que até às 07:00 não há registo de vítimas ou acidentes graves relacionados com o mau tempo.

Desde as 18:00 de ontem, altura em que começou o nosso alerta e originadas pela meteorologia adversa, registámos 193 ocorrências, sendo que os distritos mais afetados são Bragança, Viseu, Vila Real e Guarda. São ocorrências essencialmente relacionadas com quedas de árvore e com limpezas de via", disse.

O comandante operacional salientou também que não há informação de Itinerários Principais interrompidos, com exceção do Alto de Espinho, no IP 4 que está cortado desde terça-feira devido à queda de neve.

Sabemos que existem várias estradas municipais interrompidas devido à neve. Na Serra da Estrela, as estradas do maciço central foram reabertas às 06:00”, disse.

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Oito concelhos sem aulas e todas as estradas muito condicionadas em Bragança

As escolas de oito dos 12 concelhos do distrito de Bragança estão hoje encerradas devido à neve que caiu nas últimas horas e que mantém “muito condicionadas” todas as estradas desta região, segundo informação das autoridades locais.

O Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS) indicou à Lusa que hoje estão as encerradas as escolas nos concelhos de Bragança, Macedo de Cavaleiros, Mogadouro, Vinhais, Alfândega da Fé, Miranda do Douro, Carrazeda de Ansiães e Vimioso, de acordo com informação recolhida localmente pelas corporações de bombeiros.

O Comando Distrital da GNR indicou à Lusa que “todas as estradas nacionais e municipais” do distrito de Bragança “estão muito condicionadas”. A única onde se circula com menos constrangimentos é a A4, no troço correspondente à Autoestrada Trasmontana, apesar a existência de pontos críticos como o Alto de Rossas (Bragança) e o Romeu (Mirandela).

As autoridades aconselham a população a circular apenas dentro “do estritamente necessário” até a situação melhorar, o que se espera venha a ocorrer durante a tarde.

Também o Instituto Politécnico de Bragança (IPB) suspendeu as aulas, durante a manhã, nas escolas superiores de Bragança e Mirandela, e deu tolerância de ponto aos funcionários.

Os constrangimentos devem-se à acumulação de neve que caiu desde o final do dia de terça-feira até à madrugada de hoje.

Apesar de já não nevar há algumas horas, as autoridades locais ainda não conseguiram debelar os efeitos do nevão que atingiu praticamente todo o distrito de Bragança.

Este é o segundo nevão que ocorre em poucas semanas nesta região, onde é habitual a queda de neve nesta época do ano, mas onde já cinco anos não atingia estas proporções.

Alunos sem aulas e vias afetadas pela neve e queda de árvores em Vila Real

A neve e a queda de árvores estão a provocar constrangimentos em várias estradas do distrito de Vila Real, onde hoje as atividades letivas vão estar suspensas nos concelhos de Alijó, Montalegre, Murça e Vila Pouca de Aguiar.

Na terça-feira, o distrito de Vila Real foi atingido por um grande nevão que provocou grandes dificuldades na circulação rodoviária e levou ao encerramento, mais cedo, das escolas de 11 dos 14 concelhos do distrito.

Segundo fonte da GNR, esta manhã permanecia cortado ao trânsito o Itinerário Principal 4 (IP4), na zona do Alto de Espinho, que atravessa a serra do Marão, entre os nós da Campeã (Vila Real) e Padronelo (Amarante).

Depois, pelo distrito há o registo de vários troços de estradas cortadas, entre nacionais e municipais, principalmente por causa da queda de árvores e também pela neve. Situações que se verificam, por exemplo, em Boticas, Chaves, Valpaços, Ribeira de Pena, Mondim de Basto ou Vila Pouca de Aguiar.

De acordo com a proteção civil, a queda de árvores foi ocorrência com mais registos esta noite, no distrito de Vila Real.

Hoje, devido às condições climatéricas, não há atividades letivas nas escolas de Alijó e Murça, incluindo a escola profissional, bem como nos Agrupamentos de Escolas de Vila Pouca de Aguiar e Doutor Bento da Cruz, em Montalegre.

Sabrosa sem luz nem aulas

O concelho de Sabrosa está a sofrer um corte de energia generalizado devido ao mau tempo, uma situação que inviabilizou a abertura das escolas esta manhã, disse o presidente da autarquia.

Domingos Carvas explicou à agência Lusa que o concelho está a ser afetado por um corte de energia elétrica e salientou que não há previsões para a reposição.

Esta situação, explicou, deve-se à queda de uma linha de média tensão, provavelmente pelo acumular de neve. Por causa deste corte de energia, as escolas não vão abrir hoje.

As estradas estão transitáveis, mas não há energia elétrica e, conclusão, as salas estão frias e não havia condições para haver aulas”, salientou.

O autarca salientou que a falta de energia elétrica se verifica em todo praticamente todo o concelho e que se aguarda por uma equipa da EDP para se fazer a reparação.

A24 cortada nos dois sentidos em Lamego

O mau tempo no norte do país obrigou ao corte de trânsito em diversas estradas municipais e, além do IP4 (Amarante/Vila Real), cortado desde terça-feira, também a A24 está interrompida nos dois sentidos na zona de Viseu.

De acordo com a GNR, a A24 está cortada nos dois sentidos na localidade de Magueija, no concelho de Lamego (Viseu).

Na sequência da forte queda de neve registada na terça-feira, várias estradas dos distritos de Viseu, Bragança e Vila Real estiveram encerradas.

Na terça-feira, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) colocou estes distritos sob aviso laranja e amarelo devido à queda de neve.

Hoje estes distritos vão estar sob aviso amarelo por causa da chuva, que pode ser forte e persistente, e vento.

O IPMA prevê para hoje no continente céu geralmente muito nublado, períodos de chuva ou aguaceiros, por vezes fortes e de granizo e queda de neve nos pontos mais altos da Serra da Estrela, sendo acima de 600/800 metros na região Norte até ao início da manhã.

A previsão aponta ainda para condições favoráveis à ocorrência de trovoada, vento moderado a forte do quadrante sul, com rajadas até 80 quilómetros por hora na região Sul, soprando forte, com rajadas até 100 quilómetros por hora, nas terras altas e subida de temperatura nas regiões Norte e Centro, em especial no interior.

Seis barras fechadas e cinco condicionadas 

Seis barras do Continente estão hoje fechadas a toda a navegação e outras cinco estão condicionadas devido à agitação marítima forte, de acordo com a Marinha Portuguesa.

Segundo a Marinha, as barras de Esposende, Douro, Ericeira, Alvor, Olhão e Faro estão hoje fechadas a toda a navegação.

As barras de Póvoa do Varzim e Vila do Conde estão fechadas a embarcações de calado superior a dois metros, sendo aconselhada a utilização da barra apenas no período compreendido entre as duas horas e até duas horas depois da preia-mar.

A Marinha indica também que as barras marítimas de Aveiro e da Figueira da Foz estão fechadas apenas a embarcações com 15 e 11 metros, respetivamente.

A barra de São Martinho do Porto está condicionada devido a assoreamento, devendo a barra ser usada apenas na preia-mar.

Por causa da agitação marítima, o Instituto Português do mar e da Atmosfera (IPMA) colocou os distritos de Lisboa, Setúbal, Beja e Faro sob aviso laranja devido à previsão de agitação marítima, prevendo-se ondas de sudoeste com cinco a seis metros de altura, podendo atingir 12 metros de altura.

Este aviso laranja vai estar em vigor entre as 09:00 e as 21:00 de quinta-feira.

Segundo o IPMA, toda a costa portuguesa e os arquipélagos dos Açores e da Madeira estão sob aviso amarelo devido à agitação marítima entre hoje e sexta-feira.

A Autoridade Marítima Nacional (AMN) alertou no início da semana para um agravamento gradual das condições do estado do mar até sexta-feira, com ondas que podem chegar aos nove metros de altura.

A agitação marítima será forte, com previsões de ondas de seis metros de altura, podendo atingir os nove metros nos quadrantes oeste e sudoeste, em especial no arquipélago da Madeira e no Continente, a sul do Cabo Espichel, costa Vicentina e Algarve", lê-se, num comunicado.

A instabilidade marítima será acompanhada de "muita chuva" e de "vento muito forte", com rajadas que poderão ultrapassar os 40 nós, refere a mesma nota.

A AMN recomenda a quem se encontra no mar a regressar ao porto de abrigo mais próximo e a adotar medidas de precaução, tais como "reforço da amarração e vigilância apertada das embarcações atracadas e fundeadas".

A Autoridade Marítima dirigiu um especial aviso aos pescadores lúdicos de pesca à cana, aconselhando que devem evitar "pescar junto às falésias e zonas de arriba nas frentes costeiras atingidas pela rebentação das ondas, tendo sempre presente que o mar nestas situações extremas alcança muitas vezes zonas aparentemente seguras".

À população em geral, a AMN aconselha que evitem passeios junto à costa e nas praias.