O grande fogo na Sertã, que alastrou depois aos concelhos de Proença-a-Nova e Mação, afetando os distritos de Castelo Branco e Santarém, foi dominado esta quinta-feira de manhã, disse à Lusa fonte da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).

O incêndio está de facto dominado, ficou dominado há alguns minutos atrás, portanto é uma boa notícia”, declarou a adjunta de operações da ANPC Patrícia Gaspar, pelas 11:25 de hoje.

Segundo a responsável da Proteção Civil, todo o dispositivo de combate ao fogo vai manter-se no terreno “durante as próximas horas” para garantir “uma resposta permanente” a todas as situações que possam surgir em termos de reativações.

O incêndio deflagrou na tarde de domingo no concelho da Sertã (distrito de Castelo Branco) e alastrou a Proença-a-Nova, bem como ao concelho de Mação (distrito de Santarém).

Segundo a Câmara de Mação, na quarta-feira à noite as chamas chegaram ainda a Vila Velha de Ródão (distrito de Castelo Branco).

No local mantêm-se 988 bombeiros, apoiados por 316 viaturas e seis meios aéreos.

Apesar de o grande incêndio que deflagrou na Sertã ter sido dominado, existem três ocorrências ativas que suscitam preocupação por parte da Proteção Civil, incluindo os dois fogos que lavram no distrito de Portalegre - o incêndio de Gavião e o incêndio de Nisa - e o fogo que lavra em Penacova, no distrito de Coimbra.

Sobre os dois fogos em Portalegre, a adjunta de operações da ANPC referiu que estas ocorrências continuam a concentrar o esforço da Proteção Civil, “no sentido de garantir que estes incêndios possam ficar dominados nas próximas horas”.

“Vamos ver o resultado das operações que temos no terreno”, acautelou.

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Acessos dificultaram combate às chamas

 A intensidade com que o fogo lavrou e a energia libertada logo desde o início impediu nalgumas zonas o combate por terra, revelou a Proteção Civil, que aponta a secura da vegetação como um dos agravantes.

Segundo Patricia Gaspar, “este ano, a secura dos combustíveis [vegetação] tem sido determinante. A isto junta-se o vento e o desordenamento”, que tem dificultado ainda mais o combate às chamas nos últimos incêndios.

Há pessoas a viver dentro das florestas, com silvas à porta”, exemplifica a adjunta de operações da ANPC, para quem “a extrema energia que alguns fogos libertam logo no início impedem o ataque no terreno. Por vezes só é possível ir com meios aéreos”, reconhece.

Contactado pela Lusa, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) diz que, em comparação com os dois anos (2003 e 2005) em que mais área ardeu, “a secura era maior” em 2005, mas este ano a vegetação “secou muito rapidamente com as altas temperaturas de julho”.

Fonte do departamento de climatologia do IPMA explicou que, naquele ano, como houve pouca precipitação no inverno (em novembro e dezembro de 2004 choveu pouco), quando a chuva caiu na primavera ajudou a crescer a vegetação.

O IPMA recorda que a imprevisibilidade das direções e da força das rajadas de vento complica o trabalho aos bombeiros e sublinha que, a este nível (vento), é difícil fazer comparações.

Podemos fazer comparações com as temperaturas e eventualmente com a precipitação, mas a variabilidade do vento não é comparável”, afirmou outra fonte do Instituto.

Os incêndios florestais já consumiram este ano 75.264 hectares, a maior área ardida no mesmo período da última década.

Segundo a ANPC, entre 01 de janeiro e 24 de julho, deflagraram 7.795 incêndios florestais, que consumiram um total de 75.264 hectares. A média do número de ocorrências de fogo e de área ardida nestes primeiros sete meses é superior ao mesmo período do decénio de 2007 a 2016.

Os incêndios dos primeiros sete meses de 2017 já consumiram mais floresta do que a totalidade de cada um dos cinco anos da última década.

Segundo dados do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, o pior ano em total de área ardida nos últimos dez anos aconteceu em 2016, quando o fogo consumiu mais de 160 mil hectares.

Antes disso, os piores anos em área ardida registaram-se em 2003 (425.839 hectares) e 2005 (339.089). Estes dois anos tiveram igualmente ondas de calor. Em agosto de 2003, por exemplo, foi registada a mais alta temperatura máxima em Portugal desde que há registo: 47,4 graus, na Amareleja (Alentejo).