As emissões de dióxido de carbono geradas pelos incêndios florestais atingiam 4,4 milhões de toneladas em finais de agosto, um valor só ultrapassado nos totais anuais de 2003 e 2005, segundo a Agência Portuguesa do Ambiente.

"Uma avaliação preliminar coloca as emissões deste ano em valores próximos dos 4,4 MtCO2eq" (milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente), refere a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), em resposta a questões da agência Lusa sobre os efeitos dos incêndios florestais.

Desde 1990, aquele número só foi ultrapassado em 2003, quando se atingiu o número mais elevado de emissões devido a fogos florestais, com 8,1 MtCO2eq, e em 2005, com sete MtCOeq.

Aquele valor não inclui ainda os incêndios de 15 de outubro, dia em que deflagraram centenas de fogos provocando 45 mortos e cerca de 70 feridos, mais de uma dezena dos quais graves, e obrigando a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas, sobretudo nas regiões Norte e Centro.

De acordo com os dados reportados à Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC), as emissões dos incêndios em Portugal foram em média de 1,92 MtCO2eq.

As emissões variaram "entre um mínimo de 0,18 MtCO2eq (2014) e um máximo de 8,13 MtCO2eq (2003)", refere a APA.

Os valores registados de área ardida até 31 de agosto de 2017 são de 213.986 hectares, dos quais 115.187 hectares de floresta e 98.799 de matos, segundo o 6.º Relatório Provisório de Incêndios Florestais de 2017, citado pela APA.

Na semana passada, o sistema português contabilizava 225.447 hectares de floresta ardida este ano (equivalente ao distrito de Viana do Castelo), mas o Sistema do Centro de Investigação Comum da Comissão Europeia, calculava 316.100 hectares.

O sistema da Comissão Europeia apontava para quase 54.000 hectares queimados só no dia 15 de outubro, o pior dia do ano em número de fogos.

Na sexta-feira, o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, disse que a área florestal ardida vai diminuir a capacidade de captar as emissões nocivas de carbono.

"O impacto ambiental é evidente numa dupla dimensão. Por um lado a perda de valor ecológico direto pelo desaparecimento destes espaços [floresta] que são espaços de amenidade, até para o comum das pessoas, e são fundamentais no equilíbrio do ecossistema”, referiu.

Além disso, há uma segunda perda “não menos relevante, de capacidade do país para sequestrar carbono", referiu o governante.

A 11 de outubro, o Governo apresentou o Roteiro para a Neutralidade Carbónica que tem como objetivo tornar Portugal neutro em carbono em 2050, o que implica reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e ter sumidouros.

Segundo o ministro, é necessário "ter massas florestais, agrícolas e geológicas", que sejam "capazes de compensar essas mesmas emissões".