É cada vez mais evidente o envolvimento do advogado do vice-Presidente do Millennium BCP, Daniel Proença de Carvalho, no processo em que o Procurador da República, Orlando Figueira, é acusado de corrupção.

A TVI sabe que os picos dos telefonemas entre Proença de Carvalho e o antigo magistrado, terão ocorrido, precisamente nos dias em que Orlando Figueira terá pago os impostos em dívida, a conselho do advogado, já que em causa poderiam estar os crimes de fraude fiscal e branqueamento de capitais.

Segundo o Procurador, Daniel Proença de Carvalho ter-lhe-á mesmo dito que Carlos Silva, o número dois do Millennium BCP, estaria disposto a pagar os valores em causa, garantindo desta forma o silêncio do antigo magistrado.

Só nesta altura, Proença e Orlando Figueira, terão falado por telefone 15 vezes. No total, estão registadas 36 chamadas entre o advogado e o procurador, sendo que houve mesmo dias em que chegaram a falar cinco vezes, como no dia em que assinaram a revogação do contrato de trabalho.

As chamadas terão ocorrido entre 25 de maio de 2015, dia em que foi registada a primeira chamada – que durou 62 segundos. Nesse mesmo dia, há registo de mais duas chamadas, efetuadas desta vez pelo antigo magistrado: primeiro uma tentativa falhada que terá durado apenas 2 segundos e outra, concretizada, que terá demorado 53 segundos.

O dia 25 de maio torna-se ainda mais importante, quando se verifica que no dia seguinte Orlando Figueira declarou, declarado no Portal das Financas, os 265 mil dólares que terá recebido da PRIMAGEST, a empresa que o Procurador acredita ser a testa de ferro do banqueiro Carlos Silva.

Dois dias depois, 27 de maio, dia em que faz nova retificação no Portal das Finanças, Orlando Figueira volta a ligar a Proença de Carvalho.

No dia seguinte, a 28 de maio, o magistrado e o procurador encontram-se no escritório de Proença de Carvalho e falam ao telefone cinco vezes. Terá sido nessa noite que Orlando Figueira terá entregue a Proenca de Carvalho as simulações de pagamento de impostos que entretanto tinha imprimido e que, segundo o Procurador, Carlos Silva estaria disposto a pagar.

Ainda nessa noite, terá sido assinada a revogação do contrato de trabalho, tendo ficado estipulado que o banqueiro Carlos Silva assumiria o pagamento de todos os impostos em divida. A contrapartida? Orlando Figueira nunca mencionaria o nome de Carlos Silva e Proença de Carvalho, nem da existência de uma conta em Andorra.

A 20 de maio, é Proenca que volta ligar ao Procurador. Seguem-se três telefonemas no dia 11 de junho, dia em que voltam a reunir-se.

Até dia 30 de novembro, são feitos mais 12 telefonemas entre os dois. As provas surgem através da faturação detalhada do telefone do procurador. 

As provas fazem com que se aperte, assim, o cerco a Daniel Proenca de Carvalho, que terá muita coisa a explicar quando for ouvido, já que é cada vez mais evidente o seu envolvimento neste processo. O próprio Ministério Público não exclui a possibilidade de Proença de Carvalho e o banqueiro Carlos Silva virem a ser constituídos arguidos.