Um “disparate” pensar-se num eventual fim da ADSE. O ministro da Saúde defende que a hipótese de os hospitais privados atenderem os beneficiários nas mesmas condições, mas fora da convenção, não passa de uma “tática negocial”.

Adalberto Campos Fernandes reagiu assim às declarações do presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP), Óscar Gaspar, que revelou que estas unidades de saúde estão a estudar uma forma de os beneficiários da ADSE continuarem a ter acesso aos serviços, nas mesmas condições, mas sem ser através do subsistema de saúde dos funcionários públicos.

Não vamos ser tremendistas, nem comentar tática negocial. (...)  Francamente, parece-me que se trata de tática negocial. Só poderemos avaliar o que acontece no final de fevereiro e ver o que está em cima da mesa em termos de negociação”

O ministro falava a propósito da nova tabela de preços com que a ADSE pretende pagar os serviços prestados pelos prestadores convencionados, a qual os privados já consideraram “incomportável”. 

Adalberto Campos Fernandes tem dito que "há muito tempo" para negociar e que se está a tentar "garantir que o dinheiro dos beneficiários não é mal utilizado".

Perante a ameaça dos privados, o governante diz que "alguns agentes, incompreensivelmente, procuram fazer a negociação pelos jornais". "Não é correto, não faz sentido, mas é um direito que lhes assiste”, disse aos jornalistas, à margem das XXI Jornadas de Infecciologia, que decorrem esta sexta-feira, em Lisboa.

O Conselho Geral e de Supervisão da ADSE emitiu um parecer favorável, na generalidade, às propostas apresentadas pelo conselho diretivo para as novas tabelas de preços. Há, porém, ainda negociações em curso e espera-se que as tabelas entrem em vigor a 1 de março.