0 site norte-americano Huffington Post lançou hoje um blogue dedicado aos 40 anos de democracia em Portugal, escrito pelo académico português André Corrêa d`Almeida.

Na primeira publicação do blogue, o professor adjunto da Universidade Columbia, em Nova Iorque, defende que não existem diferenças significativas entre os principais partidos políticos desde 1974.

O texto chama-se «Quatro décadas após a "Terceira Vaga de Democratização" e a irrelevância das diferenças entre partidos políticos em Portugal: 1974-2014» e utiliza o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para fundamentar a teoria.

«Os dados não suportam a ideia de que um partido tenha sido melhor do que o outro em termos de desempenho económico. As suas diferenças não são relevantes para o desenvolvimento do país, têm servido apenas para alimentar o combate, a intriga e a competição no processo político», explicou o autor à agência Lusa.

A segunda publicação será sobre a saída do FMI do país e comparará as três opções escolhidas, em 1977, 1983 e agora em 2014.

O investigador, que vai colaborar com Paulo Reis Morão, da Universidade do Minho, explicou à agência Lusa que «esta iniciativa tem como fim contribuir para a modernização do sistema político-partidário em Portugal» e que é um «contributo para uma reflexão 40 anos após o 25 de Abril».

Nas próximas semanas, André Corrêa d¿Almeida vai partilhar as conclusões do estudo «O Sistema Político-Partidário em Portugal visto pela Diáspora Portuguesa», realizado em conjunto com o professor Nuno António.

O português vai também usar o blogue para refletir sobre as conclusões da segunda parte do estudo, que serão anunciadas dentro de duas semanas.

Mais de 1.070 portugueses residentes em 59 países participaram no estudo, que foi realizado no âmbito da Sustainable Development Solutions Newtwok, uma iniciativa da Organização das Nações Unidas que apoia soluções de desenvolvimento sustentável.

As primeiras conclusões, que foram divulgadas no início do ano, diziam que os portugueses que vivem fora de Portugal acreditam que o país não se tem sabido governar desde 1974 e que os deputados deviam estar proibidos de exercer funções no setor privado

Segundo o estudo, o Presidente da República, os ministros e os deputados são os três grupos sociais em que os portugueses que vivem fora de Portugal têm menos confiança.

Depois de conhecidas estas conclusões, o autor teve uma série de encontros na Assembleia da República nos últimos meses.

«Tive encontros com deputados que eu pedi e com outros que me contataram. Foi um diálogo muito interessante, que continua a decorrer, e que tem como objetivo último a criação de plataformas colaborativas no nosso sistema democrático», explicou o professor.

«Queremos instituições que contribuam para um desenvolvimento sustentável e bem-estar das populações e não para esta instabilidade a que temos estado sujeitos desde 1974», conclui o investigador.