Milhares de pessoas participaram esta sexta-feira, no Porto, no desfile comemorativo dos 40 anos do 25 de abril que percorreu várias artérias da cidade entre a Rua do Heroísmo e a Avenida dos Aliados.

A anteceder o desfile realizou-se junto às antigas instalações da PIDE (atual Museu Militar) uma homenagem aos resistentes antifascistas, numa cerimónia que culminou com a colocação de uma coroa de flores junto ao edifício, ao som da canção «Grândola, Vila Morena».

25 Abril: Milhares de pessoas nas comemorações no Porto

A presidente da União dos Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP) defendeu a necessidade de prosseguir «com determinação a luta pela defesa das conquistas da Revolução, sem desvalorizar os ataques que os inimigos dos valores de abril, hoje no poder, teimam em desferir em nome de interesses que não são do povo português, mas de submissão aos interesses do capital financeiro nacional e internacional contra os trabalhadores, pensionistas, jovens e idosos».

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«Exige-o a memória daqueles que aqui homenageamos e que durante quase meio século deram o melhor das suas vidas para que o 25 de abril acontecesse e hoje, em liberdade, o possamos continuar a celebrar», disse Maria José Ribeiro.

Sobre o pedido de demissão do Governo deixado pelo presidente da Associação 25 de Abril, Vasco Lourenço, na homenagem a Salgueiro Maia, em Lisboa, a dirigente da URAP considerou que «nunca é tarde».

O presidente da Associação 25 de Abril, Vasco Lourenço, defendeu que é preciso apear o Governo, de preferência por iniciativa do Presidente da República, que acusou de continuar a ser «mero assistente passivo ou mesmo conivente».

Em declarações à Lusa, Maria José Ribeiro disse não acreditar no presidente da República.

«O discurso do presidente da Republica soa a falso», sustentou a resistente antifascista.

Na cerimónia oficial do 25 de abril, Cavaco Silva recusou «a política de vistas curtas» ditada pelos taticismos, insistindo na necessidade de entendimentos políticos sobre as questões essenciais para o futuro do país.

«Quando se reconhece que a constituição não está a ser cumprida devia dar esse passo [demitir o Governo] e não vir dizer que não há alternativa por causa da Troika e dos mercados. O 25 de Abril não foi feito para isso», acrescentou.

O jovem André Marcelo admitiu, em declarações à Lusa, não ter ouvido os discursos que marcaram a celebração dos 40 anos do 25 de Abril, mas manifestou-se convicto de que, «pelo menos o presidente da República e o primeiro-ministro vão continuar o que têm vindo a fazer, que é destruir a vida da juventude, a escola, o direito ao trabalho e a obrigar à emigração».

«Como eles vão insistir nisso, nós também vamos continuar a insistir nesta luta e levar os valores de abril para a frente», acrescentou.

A chuva que começou a cair ao início da tarde levou muitos manifestantes a abandonarem mais cedo a Avenida dos Aliados, onde decorre um espetáculo da Orquestra Ligeira de S. Pedro da Cova e do Grupo Raízes.