Por: Redacção | 25- 4- 2010 21: 28
Vários milhares de pessoas marcaram este domingo presença no habitual desfile comemorativo do 25 de Abril, na Avenida da
Liberdade, em Lisboa, um evento que representou a «consciência popular» de um país que «continua a querer Abril de volta»,
noticia a Lusa.
Debaixo de um sol mais próprio de Agosto do que de um dia de Abril, milhares de pessoas, vindas
de vários pontos do país, concentraram-se na rotunda do Marquês de Pombal para desfilar pela Avenida da Liberdade abaixo e,
entre canções de intervenção que marcaram o dia 25 de Abril de 1974, lembrar os valores que a revolta dos Cravos deixou ao
país.
«Desde o primeiro dia até hoje, foi a melhor coisa na vida que me podia ter acontecido porque vivíamos oprimidos,
com fome, com tudo que há na vida do pior», disse à Lusa Pombalina Correia, 76 anos.
«É importante trazermos todos
para não se esquecer que se se deixar de ser livre, será certamente uma vida pior», defendeu por seu lado, Rui Pedro, com
a filha às cavalitas.
Vai explicando à filha o que foi o 25 de Abril porque «a liberdade também é uma coisa que se
constrói todos os dias e a própria memória também deve ser revista e analisada para se poder projectar para a frente».
Margarida
tem apenas 12 anos, mas também desfila de cravo na mão. «Havia uma ditadura e nós conseguimos acabar com ela», explicou à
Lusa.
Para Margarida, que conhece o 25 de Abril pelos livros de história e pelo que ouve dos pais, isso foi um facto
muito importante. «É importante porque voltámos a ter a nossa liberdade e isso é uma coisa boa», explicou.
«Consciência
popular»
Presente no desfile, o líder do Bloco de Esquerda, com centenas de milhar de pessoas nas suas costas,
vê naquela multidão a representação da «consciência popular».
«Representa também uma reacção, uma resposta, uma dignidade
das pessoas num país em que se dá dez milhões de euros a um Paulo Teixeira Pinto, três milhões de euros ao António Mexia,
oito milhões a um João Rendeiro, 108 milhões àquela gente do BCP. Então não aceitamos que haja esta pobreza», defendeu Francisco
Louçã.
«Acção viva»
Já para Jerónimo de Sousa, secretário geral do Partido Comunista Português (PCP),
este é um desfile que «não tem nada de saudosismo», mas é antes uma «acção viva».
«Ao fim de 36 anos, qual a razão
funda que leva tanta gente a manifestar-se aqui, em massa, para além das milhares de iniciativas por todo o país? Eu creio
que tem a ver com um povo que apesar de um Abril mutilado, com conquistas e direitos destruídos, continua a querer este Abril
de volta», defendeu.
«As pessoas continuam com os valores de Abril bem presentes e sentem que, nomeadamente em momentos
de crise como os que vivemos, é à volta dos valores de Abril que se pode construir um Portugal melhor», apontou, por seu lado,
o capitão de Abril, Vasco Lourenço.
Francisco Assis, líder parlamentar do Partido Socialista, salientou como no desfile
iam lado a lado vários líderes partidários que normalmente pensam de maneira diferente e discutem na sua vida politica, mas
que reconhecem os valores de Abril.
«Valor fundamental é a liberdade»
«Não tenho a mais pequena dúvida
[de que os valores de Abril não foram esquecidos] porque o valor fundamental é a liberdade e é esse que eu estou aqui a comemorar
porque é um valor presente na nossa vida e no nosso dia a dia e é um valor pelo qual os portugueses estão sempre dispostos
a lutar», defendeu.
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