A multinacional farmacêutica Octapharma cessou esta terça-feira o vínculo contratual que mantinha com o ex-primeiro-ministro José Sócrates, em prisão preventiva em Évora, indiciado pelos crimes de branqueamento de capitais, corrupção e fraude fiscal qualificada.

A Octapharma referiu, em comunicado enviado á agência Lusa, que, «face aos últimos desenvolvimentos, entende não estarem reunidas as condições para manter a colaboração com José Sócrates».

A empresa, com sede na Suíça, esclareceu que José Sócrates «integrou o Conselho Consultivo para a América Latina (...) desde janeiro de 2013, justificadas pelo conhecimento que este tinha do referido mercado».

«O relacionamento profissional entre a Octapharma AG e José Sócrates sempre se pautou pelo estrito cumprimento da Lei e por um vínculo contratual claro e transparente», acrescenta a Octapharma.

A Octapharma afirma ainda que as funções de Sócrates «nunca envolveram qualquer atividade em Portugal ou relacionamento com a filial portuguesa», e que manifestou disponibilidade «para colaborar com as autoridades, esclarecendo toda e qualquer questão que possa surgir, por parte destas, em qualquer âmbito».

A multinacional salientou ainda que Sócrates, em prisão preventiva em Évora, «goza, como todo e qualquer cidadão, de presunção de inocência».

Leia também: Sócrates: ao estilo de Al Capone, as estórias do dia «D»

O ex-primeiro ministro foi detido pouco depois das 22:00 de sexta-feira, no aeroporto de Lisboa, depois de viagem desde Paris, tendo sido transportado de imediato para o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), onde lhe foi comunicado que estava indiciado dos crimes de branqueamento de capitais, corrupção e fraude fiscal qualificada.

Com os mesmos crimes, Carlos Santos Silva, amigo de longa data de José Sócrates, e o advogado Gonçalo Trindade Ferreira também foram detidos na quinta-feira.

Sócrates: prisão preventiva pode ir até março de 2018

Igualmente detido nesse mesmo dia, o motorista de Sócrates, João Perna, está indiciado de fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e detenção de arma proibida.

Na segunda-feira, foi aplicada a prisão preventiva a Sócrates, Perna e Santos Silva.

O Tribunal Central de Instrução Criminal não determinou a Gonçalo Trindade Ferreira medida de coação restritiva de liberdade, impondo-lhe as proibições de ausência para o estrangeiro e de contactar com os demais arguidos assim como a obrigação de apresentação bissemanal no DCIAP.