Anabela, Arménia e Maria Cândida fazem-se ao Sado todos os dias. As três mulheres e o fiel amigo, o Pescador.

Equipam-se a rigor, contam os passos para a dura manhã que as espera na apanha da ameijoa.

Andam nisto há muitos anos. Outros empregos tiveram, mas o rio sempre as chamou. Não têm medo da água nem de andarem sozinhas.

Saltam para o lodo, levam baldes e botas altas. Segue-as o pequeno cão, Pescador de nome e feitio.

O cais palafítico da Carrasqueira parece um cenário tirado de um filme. Meia dúzias de paus e umas tantas tábuas fazem de porto para os barcos de pesca.

O silêncio da manhã quase nos esmaga. É apenas interrompido pelos pássaros e pela música que faz companhia a Vítor.

Limpa as redes, que a noite foi de pesca. O filho foi vender para a lota de Sines. Vítor prepara o barco para mais uma noite no mar.

A Comporta vive do que dão o mar e a terra. A agricultura aqui é quase tão antiga como a Herdada da Comporta. As casas de colmo foram as primeiras, as da aldeia vieram depois.

A Comporta está na moda. As cegonhas anunciam: estamos no Alentejo. As lojas dizem: estamos numa evoluída metrópole. Mas à esquina, o comércio mostra as raízes. Os legumes e as frutas vêm aqui parar todos os dias na carrinha de António. Há mais de 30 anos que aqui vende os produtos das quintas vizinhas.

O arroz é daqui e é junto à praia que vamos saborear um prato que junta o melhor arroz com o choco com tinta. É na praia do Pego que fica o Sal, distinguido como o melhor restaurante de praia do mundo. Muitos reconhecidos artistas já se renderam aos pratos aqui servidos e à paisagem que o rodeia. Madonna foi a mais recente.

A praia tem areal extenso e mar azul turquesa. Convidam a descanso e a mergulhos.