A queda de um ultraleve nas imediações do Campo de Voo de Benavente, em abril de 2012, que provocou a morte dos dois ocupantes, deveu-se a falha humana, aponta o relatório final da investigação ao acidente, divulgado esta quarta-feira.

O piloto, de 21 anos, e o passageiro, de 18 anos, tiveram morte imediata e o ultraleve ficou totalmente destruído na sequência do incêndio que deflagrou após a queda.

Segundo o relatório do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves (GPIAA) foram identificadas duas causas prováveis para o acidente: “a entrada em perda devido a atitude anormal de nariz [do ultraleve] em cima, provocado pelo passageiro aos comandos do avião, e a entrada em perda devido a volta apertada provocada pelo piloto”.

“A Comissão de Investigação determinou que a causa do acidente foi a perda de controlo da aeronave devido a erro humano do piloto. O piloto não tinha seguido os procedimentos de descolagem e aterragem corretos, tudo indicando que ele autorizou o passageiro a assumir as operações”, sublinha o GPIAA.

A investigação refere que “tudo indica que o piloto estava a ensinar, ou pelo menos a permitir” que o passageiro pilotasse o avião nas manobras de aterragem e descolagem, acrescentando que “é possível que tenha sido o passageiro a estar aos comandos do avião” no momento do acidente.

“Numa situação destas o piloto pode não ter tido tempo de reagir atempadamente para evitar a perda ou de ter sido impedido, por ação do passageiro, de atuar devidamente nos comandos de voo”, frisam os investigadores.

O relatório refere que o passageiro era “um entusiasta da aviação e dos simuladores de voo”, não tendo sido encontrado nenhum registo de qualquer experiência de voo, nem inscrição em algum curso de pilotagem.

A investigação conta que este jovem “já tinha voado como passageiro com outro piloto e já lhe tinham sido dados a sentir os comandos do avião".

A outra causa aponta para a entrada em perda do ultraleve devido a uma manobra intencional do piloto.

“Parece também que o piloto poderá ter efetuado uma volta apertada à direita, sem a velocidade correta numa tentativa de demonstrar as capacidades de manobra da aeronave ou demonstrar ao passageiro a sua habilidade de pilotagem”, descreve o GPIAA, de acordo com a Lusa.