A Federação Nacional de Educação (FNE) decidiu desconvocar a greve ao exame de inglês, depois de ter chegado a acordo com o Governo em pontos como a certificação de proficiência exigida aos docentes, que passa a ser opcional.

Após uma reunião que decorreu ao longo de quase todo o dia no Ministério da Educação e Ciência (MEC), em Lisboa, e que contou com a presença do ministro Nuno Crato, a FNE considerou que os recuos da tutela nas exigências que eram feitas aos professores envolvidos na aplicação do teste de diagnóstico de inglês da responsabilidade do instituto da Universidade de Cambridge eram suficientes para desconvocar a greve marcada a todo o serviço à prova.

«Na sequência destas informações que o MEC transmitiu a FNE decidiu desconvocar a greve que tinha previsto para o período de aplicação aos alunos deste teste», lê-se num comunicado da estrutura sindical, hoje divulgado.

Segundo a FNE, o ministério «decidiu que passa a ser facultativa a realização dos testes pelos professores aplicadores das provas de Cambridge».

Os exames em causa, da autoria do Cambridge English Language Assessment, e que teriam por objetivo certificar a proficiência linguística dos professores que iriam classificar as provas dos alunos portugueses, suscitaram fortes críticas de sindicatos e associações de docentes de inglês, que viam nesta imposição um desrespeito para com a formação superior de base para lecionar a disciplina.

«Os professores envolvidos na aplicação dos referidos testes não só não são obrigados à realização de qualquer teste de certificação, como ainda verão reconhecida a formação que realizarem para o respetivo lançamento, a qual será certificada pelo Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua», refere o comunicado da FNE.

Os professores que optarem por fazer o teste final da formação passam a ter a garantia de que os resultados, que terão uma certificação validada pelo Cambridge, não são eliminatórios, não serão tornados públicos nem os excluem do processo de aplicação da prova do Cambridge aos alunos.

Ficou ainda acordado que o período de dispensa da componente não letiva para os professores envolvidos no teste de inglês, que estava fixado em oito dias, passa agora a ser de 12 dias, podendo essa dispensa ser solicitada logo após ter terminado a aplicação da prova.

Entretanto, uma plataforma de sete sindicatos, entre os quais a Federação Nacional de Professores (Fenprof) anunciou que entregou hoje ao Governo o pré-aviso de greve para a prova do Cambridge, o Preliminary English Test (PET), que abrange todo o serviço a este exame entre 07 de abril e 06 de maio.

«Estas organizações sindicais consideram inaceitável a utilização que é feita, designadamente pelos serviços do IAVE/MEC, de docentes das escolas públicas e particulares com contrato de associação, para trabalharem para uma entidade estrangeira e estranha ao sistema educativo português, servindo interesses que lhes são alheios e desconhecidos», lê-se num comunicado da plataforma sindical.

O documento acusa o instituto da Universidade de Cambridge de ‘bullying’ sobre os professores portugueses, ao exigir-lhes, no processo de formação que ainda decorre para obter a certificação de professor classificador, um «treino intensivo» de repetição e classificação de exercícios semelhantes aos que podem constar do PET.

Os sindicatos reafirmam que o serviço ao PET extravasa as funções a que os professores estão obrigados e que «qualquer compensação dada em horas de componente não letiva aos professores forçados a entrar neste processo, são uma forma de contornar as obrigações legais a que se deverá sujeitar a tutela».

As direções das escolas designaram 2.300 professores para classificar a prova de inglês, obrigatória para os alunos do 9.º ano e opcional para os restantes anos.

No ano passado, mais de 100 mil alunos realizaram o «Key for Schools», mas este ano o nível de exigência será superior, já que a prova a aplicar será o PET.