Todos os anos surgem, em Portugal, cerca de 2.500 novos casos de tumores na cabeça e pescoço. Segundo o balanço feito pelo coordenador da Clínica de Cabeça e Pescoço do IPO-Porto, 85% deles emergem em fumadores ou ex-fumadores.

Jorge Guimarães falava a propósito de um encontro sobre esta temática que se realiza sexta-feira e sábado e que leva ao IPO-Porto um dos “maiores especialistas do mundo” na área do tratamento e investigação do cancro da cabeça e pescoço: Jatin Shah. Ele é o diretor do Serviço de Cabeça e Pescoço do Memorial Sloan Kettering Cancer Center (considerado o maior centro de investigação desta patologia) e coordenador da equipa multidisciplinar de médicos e especialistas que tratou o caso mediático do Michael Douglas.

O coordenador da Clínica de Cabeça e Pescoço do IPO-Porto disse à Lusa que no encontro será discutida a importância de referenciação destes doentes para uma equipa médica especializada e multidisciplinar, como fazem os melhores do mundo.

Em destaque estará também, segundo Jorge Guimarães, “o reforço de procedimentos de deteção precoce da doença e de promoção da prevenção e os tratamentos, com abordagem de casos clínicos concretos”. “Receber no IPO-Porto estes especialistas vai permitir uma partilha de conhecimento excecional que será com certeza um passo importante para inovarmos cada vez mais no tratamento e investigação do cancro da cabeça e pescoço”, sublinhou.

A médica Nancy Lee (radio-oncologista), e o cirurgião plástico Peter Cordeiro são outros especialistas do MSKCC que se juntam aos profissionais do IPO-Porto na iniciativa “Current Concepts in Head and Neck Cancer – It takes a team: treating Head na Neck Cancer”.

Em Portugal, de acordo com os últimos dados disponíveis (2012), a incidência de carcinoma da cabeça e pescoço foi de 50 novos casos por ano na população masculina, por 100 mil habitantes, e de 16 novos casos por ano na população feminina, com taxas de mortalidade de 19 e 3, respetivamente.

Foram também conhecidas esta quinta-feira as conclusões de um relatório sobre outro tipo de doenças que afetam muito os portugueses: as doenças cerebrovasculares. Em 2013 (os últimos dados conhecidos), mais de 30 pessoas morreram por dia de Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico e AVC isquémico.

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