Os estudantes de medicina solicitaram o adiamento “imediato” do processo de escolha de vagas para a sua formação específica, por considerarem que tem “vários erros”, além de deixar médicos de fora.

Em causa está a publicação, desde sexta-feira, do mapa de vagas do Concurso do Internato Médico de 2015 para ingresso na especialização médica, o qual, segundo a Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM), tem vários erros.

“Desde sexta-feira que surgiram múltiplas versões do mapa de vagas, a disponibilidade de vagas, assim como a lista de candidatos e o calendário do próprio processo”, disse à agência Lusa o presidente da ANEM.

Segundo Alberto Abreu da Silva, algumas vagas que são apresentadas não estão de facto disponíveis, acontecendo também o inverso.

Além destes erros, que estão a causar “grande instabilidade” nos jovens médicos, o número de vagas também não é suficiente.

De acordo com a ANEM, o número de vagas apresentado “na última versão” foi de 1.578, menos do que as 1.700 vagas necessárias.

Com esta situação, a associação espera que existam 150 médicos sem formação específica.

Esta é a fase em que os estudantes recém-licenciados em medicina, e após um ano comum e a nota obtida na prova nacional de seriação, concorrem a uma lista de vagas para obterem a sua especialidade médica, que pode durar quatro a seis anos.

O processo abriu segunda-feira e decorre até 04 de dezembro, mas a ANEM defende o adiamento.

Contactada pela Lusa, a ACSS fez saber que “efetuaram a sua escolha os primeiros 58 médicos internos”, ou seja, “os que tiveram entre 100 e 91 por cento na respetiva Prova Nacional de Seriação”.

“Durante o dia de hoje decorrerão as opções dos candidatos classificados da 59ª à 287ª posições”, prossegue o comunicado da ACSS.

Este organismo referiu ainda que, “com o objetivo de ser disponibilizado o maior numerando vagas, a fim de procurar abranger a totalidade dos médicos candidatos, a ACSS desenvolveu esforços que levaram à viabilização de novas vagas ao longo do último fim de semana e durante o dia de ontem”.

“O mapa final de vagas para os médicos que iniciarão a sua especialidade em 01 de janeiro de 2016 inclui um total de 1.569 vagas, das quais 1.046 em especialidades hospitalares”, prossegue a ACSS.

Alberto Abreu da Silva adiantou que o pedido de adiamento deste processo já seguiu segunda-feira para a ACSS, através de uma carta aberta, que aguarda agora uma resposta.

A longo prazo, a associação vai aguardar pela estabilidade do governo para propor a diminuição do número de estudantes de medicina em Portugal.

“Portugal tem o número adequado de médicos, que estão distribuídos de forma inadequada”, disse, defendendo como solução para este problema “a redução do número de estudantes de medicina no país, para adequar capacidades das universidades e também evitar os indiferenciados”.