A adesão à greve dos administrativos e auxiliares dos hospitais, que começou às 00:00 de hoje, ronda os 90%, disse à agência Lusa Luís Pesca, da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais.

Em declarações à Lusa cerca das 08:00, Luís Pesca adiantou que a adesão relativa aos turnos da noite foi «muito elevada» nos centros hospitalares de norte a sul do país.

«Nós ainda não temos uma percentagem correta, mas o que nos está a chegar aproxima-se dos 80 a 90% e nalguns casos dos 100%, sendo que nenhum estabelecimento irá encerrar porque os serviços mínimos estão a ser assegurados», sublinhou.

De acordo com o sindicalista, o impacto junto dos utentes não se fez sentir nos turnos da noite.

«É expetável que hoje de manhã haja constrangimentos a nível de consultas e adiamentos de pequenas cirurgias não urgentes, mas nenhum estabelecimento irá encerrar porque temos de assegurar os serviços mínimos”, afirmou.

Os administrativos e auxiliares da saúde vão estar hoje em greve em protesto contra a “enorme falta de pessoal” nos serviços de saúde que, segundo a federação, faz com que funcionários auxiliares, técnicos e administrativos trabalhem diariamente 10, 12 ou 16 horas.

O dirigente sindical Luís Pesca referiu à Lusa que os trabalhadores fazem horários superiores a 40 horas semanais sem que haja pagamento de horas extraordinárias e que as horas de trabalho a mais são transformadas «ilegalmente» numa bolsa de horas que dificilmente são depois utilizadas pelos profissionais.

«Temos casos de pessoas que têm 50 a 60 dias para gozar de compensação. Este trabalho não pago é desumano e há trabalhadores exaustos», referiu.