As mulheres representam mais de dois terços dos casos de idosos vítimas de violência registados pelo Serviço SOS Pessoa Idosa da Fundação Bissaya Barreto, Coimbra, desde maio de 2014, data de início do projeto.

As mulheres são vítimas em 71% dos 410 processos internos abertos desde 21 de maio de 2014, uma percentagem que tem vindo a subir todos os anos.

Em 2015, as mulheres representavam 46% dos casos de idosos vítimas de violência, número que subiu para 64% em 2016 e que em 2017 já atingiu 74%.

Também o número global de denúncias à Linha SOS Pessoa Idosa tem registado um "crescimento pronunciado", garante o Serviço da Fundação, numa nota divulgada hoje a propósito do Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres, que será assinalado no sábado, 25 de novembro.

Esta data foi consagrada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 1999, com o propósito de alertar e sensibilizar a sociedade para a necessidade de "prevenir e erradicar toda e qualquer forma de violência que vitimiza as mulheres pelo mundo fora".

Em 2015, registaram-se através da Linha SOS Pessoa Idosa 146 apelos que conduziram a 71 processos, em 2016, surgiram 173 denúncias e 152 processos, e, já este ano, de 1 de janeiro até ao dia 1 de novembro, contabilizam-se 215 pedidos de ajuda, que se concretizaram na abertura de 191 processos internos.

"Enredadas na sua fragilidade e crescente dependência, as pessoas idosas são frequentemente vítimas de teias complexas de relações de poder familiares, de delapidação, apropriação ou disputa de bens, controlo financeiro, agressões verbais, abuso sexual e atos violentos contra a sua integridade física. Perpetrada pelo cônjuge ou, na maioria dos casos, por descendentes diretos, os próprios filhos, as mulheres idosas constituem a maioria das vítimas de violência", refere o Serviço SOS.

A instituição considera que "estes são dados alarmantes", ainda mais por serem "percecionados pelo trabalho realizado diariamente" pela Fundação.

"Impõe-se a necessidade de atuar de forma articulada para a redução do sentimento de insegurança e para a diminuição dos índices de violência que atingem especificamente este grupo de risco", afirma Fátima Mota, responsável pelo Serviço e assessora da Área Social da Fundação Bissaya Barreto.