A Junta de Cerva e Limões criou uma equipa que está preparada para intervir “o mais rapidamente possível” quando são detetados ninhos de vespa asiática nesta freguesia do concelho de Ribeira de Pena, no distrito de Vila Real.

O presidente da Junta de Cerva e Limões, Fernando Lourenço, disse hoje à agência Lusa que a equipa é constituída por dois sapadores florestais, que receberam formação e dispõem do equipamento necessário para retirar e destruir os ninhos encontrados nesta localidade, uma das que possui mais registos de vespa asiática no distrito.

Quando é detetado um ninho é alertada a junta e a atuação é imediata. Ainda na quarta-feira nos comunicaram que estava localizado um ninho numa chaminé de um emigrante e nós, durante a tarde, fomos fazer a remoção do ninho do local”, referiu.

Fernando Lourenço disse ter a perceção de que “o perigo parece estar mais perto das pessoas”.

Inicialmente os casos reportados diziam respeito a ninhos de vespa velutina construídos em árvores e normalmente colocados em sítios de difícil acesso e, agora, estão a ser identificadas situações em varandas de casas e até em chaminés.

“Neste momento estão a aparecer em qualquer sítio e é necessário combatermos isso o mais rápido possível”, frisou.

Segundo o presidente, no ano passado foram identificadas cerca de “duas dezenas de ninhos de vespa asiática”, situação que disse que se “foram acumulando porque o município não tinha capacidade para dar resposta a todos os casos com a rapidez desejada”.

Então nós optamos por pedir ao município para nos fornecer esse tipo de equipamento, dar formação a dois sapadores e, desta forma, somos mais eficazes. Ao sermos contactados tentamos em 24 horas fazer a remoção do ninho”, sublinhou.

A apicultura é uma atividade com “alguma expressão” nesta localidade, com vários produtores que comercializam o mel e os seus derivados.

A presença da vespa asiática foi confirmada no distrito de Vila Real em 2015, tendo sido detetada, pela primeira vez, no concelho de Ribeira de Pena.

Na zona controlada de apicultura, que abrange os concelhos de Vila Pouca de Aguiar e Ribeira de Pena e é gerida pela associação Aguiarfloresta, há 179 apicultores e 7.900 colónias.

O presidente da Aguiarfloresta, Duarte Marques, disse à Lusa que a questão da vespa velutina é uma “situação que obviamente preocupa, mas que ainda não é alarmante”.

É uma situação que está a ser acompanhada de forma a que sejam despoletadas as medidas necessárias”, frisou.

Segundo o responsável, a Aguiarfloresta tem “feito um trabalho com os apicultores no sentido de os formar e os capacitar para a colocação de armadilhas e para a monitorização dessas mesmas armadilhas para ver a evolução da praga no território”.

No entanto, até agora, afirmou, as “perdas efetivas na produção são pouco significativas dada a pouca presença das vespas”.

A vespa velutina é uma espécie asiática que exerce uma ação destrutiva sobre as colmeias de abelhas melíferas e pode constituir perigo para a saúde pública.

Esta espécie de vespa predadora foi introduzida na Europa através do porto de Bordéus, em França, em 2004. Os primeiros indícios da sua presença em Portugal surgiram em 2011, mas a situação só se agravou a partir do final do ano seguinte.