O Grupo Lena manifestou-se esta quinta-feira aberto a disponibilizar "todo e qualquer documento" e "clarificar muito do ruído" a propósito da "Operação Marquês", no âmbito da qual um dos administradores, Joaquim Barroca, foi detido.

A empresa privada de construção, que diz que "o poder público" é o seu principal cliente, afirma, num comunicado enviado à agência Lusa, que se disponibiliza para "clarificar muito do ruído sem fundamento que continua a circular desde o início deste processo", o da "Operação Marquês", que já levou à prisão do ex-primeiro-ministro José Sócrates e do seu amigo Carlos Santos Silva, empresário e antigo administrador do Grupo Lena.

Joaquim Barroca Rodrigues, vice-presidente do Grupo Lena e filho do fundador, foi detido na quarta-feira à noite, na sequência de buscas realizadas à sede da empresa, na Quinta da Sardinha, concelho de Leiria.

O empresário, que foi interrogado no Departamento Central de Investigação e Ação Penal, em Lisboa, deverá conhecer as medidas de coação na sexta-feira.

Joaquim Barroca é a segunda pessoa com ligações ao Grupo Lena a ser detida no âmbito da "Operação Marquês", que investiga crimes de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção, depois da detenção do ex-administrador Carlos Santos Silva.

No âmbito da mesma operação, em novembro passado, foi detido o ex-primeiro-ministro José Sócrates.

Carlos Santos Silva e José Sócrates estão em prisão preventiva.

Na página na Internet, o Grupo Lena informa que emprega mais de 2.500 trabalhadores e desenvolve a sua atividade através de oito áreas de negócio, representando um "contributo na economia regional e nacional superior a 200 milhões de euros em salários e 64 milhões de impostos por ano".

O Grupo Lena, formalmente criado em 2000, remonta à década de 1950, com a atividade de António Vieira Rodrigues, pai de Joaquim Barroca, ligada às terraplanagens e construção.

O grupo empresarial está presente em países como Brasil, Venezuela, Angola, Argélia e Espanha.