Pedro Dias, que está a ser julgado por vários crimes, entre os quais três homicídios ocorridos em Aguiar da Beira, poderá falar em tribunal na próxima terça-feira, se nesse dia ficar concluída a produção de prova.

O julgamento de Pedro Dias começou a 3 de novembro, no Tribunal da Guarda. Nesse dia, o arguido optou por não prestar declarações, mas os advogados que o representam têm garantido aos jornalistas que ele falará.

Hoje, depois de concluídos os depoimentos das testemunhas referentes aos pedidos de indemnização dos familiares das vítimas e faltando apenas ouvir as testemunhas de defesa, os advogados admitiram que Pedro Dias poderá falar na terça-feira.

“Antes que ele [o julgamento] termine, falará. Se terminar na terça-feira, falará na terça-feira”, disse aos jornalistas o advogado Rui Silva Leal, que assegura a defesa de Pedro Dias juntamente com Mónica Quintela.

Mónica Quintela referiu que, apesar de faltarem apenas ouvir as testemunhas de defesa, hoje “foram requeridas novas diligências” e a produção de prova poderá não terminar na terça-feira.

Um dos requerimentos, que foi apresentado pela defesa de Pedro Dias, está relacionado com divergências nos depoimentos quanto ao período que o militar da GNR Carlos Caetano viveu com a companheira Katherine Azevedo antes de ser assassinado.

Testemunhas de Katherine Azevedo ouvidas na terça-feira tinham referido que eles viviam juntos há mais de dois anos, mas hoje testemunhas dos pais de Carlos Caetano aludiram a alguns meses, entre o verão de 2016 e o dia dos crimes, ocorridos a 11 de outubro do mesmo ano.

No requerimento, a defesa de Pedro Dias argumenta que mesmo Katherine e o pai de Carlos Caetano “afirmaram nos autos que aquela coabitação, à data da morte de Carlos Caetano, ocorria desde julho de 2016 ou há dois meses”. Por isso, pediu a leitura dos autos de inquirição ou, havendo oposição a isso, que ambos sejam ouvidos em tribunal.

Mónica Quintela justificou aos jornalistas que “o que está em causa é saber se efetivamente ocorre uma determinada situação jurídica, que é uma união de facto”.

“A defesa entende que não estão verificados esses pressupostos e é necessário fazer prova para que não haja dúvidas”, acrescentou.

Já o advogado Pedro Proença, que representa o militar António Ferreira e os familiares de Carlos Caetano, disse aos jornalistas que “isto são ‘fait divers’ criados no julgamento e que visam apenas criar alguma confusão”, uma vez que “não está aqui em causa o apuramento da verdade, nem sequer a prova que seja essencial ao objeto penal deste processo”.

“Este tipo de requerimentos e este tipo de incidentes criados no processo acontecem porque as coisas não estão propriamente a correr de feição ao arguido no que respeita à contraprova de factos essenciais na parte penal do processo”, considerou.

Pedro Proença disse estar convencido que Pedro Dias falará na terça-feira e contará “uma versão artificial” que “vai construir” em função do que tem ouvido durante o julgamento.

“O senhor Pedro Dias hoje passou o dia a escrever, não foi a anotar rigorosamente nada do depoimento das testemunhas”, afirmou.

Na sua opinião, a versão de Pedro Dias “retirará qualquer credibilidade, para além de indiciar claramente, se não houver uma confissão, uma falta de arrependimento enorme em relação a estes factos”.

Pedro Dias está acusado de três crimes de homicídio qualificado sob a forma consumada, três crimes de homicídio qualificado sob a forma tentada, três crimes de sequestro, crimes de roubo de automóveis, de armas da GNR e de quantias em dinheiro, bem como de detenção, uso e porte de armas proibidas.

A sessão prevista para quinta-feira foi desmarcada, prosseguindo o julgamento na próxima terça-feira.