A grande maioria dos trabalhadores do Infarmed, a autoridade nacional do medicamento, manifestou-se, esta quarta-feira, indisponível para mudar para o Porto, conforme já foi anunciado e decidido pelo Governo. Uma medida operacional a partir de janeiro de 2019.

Do total de 400 trabalhadores da autoridade, 321 estão presentes no plenário, tendo 92% manifestado indisponibilidade para sair de Lisboa e ir para a Invicta, caso sejam obrigados a tal. 

O coordenador da comissão de trabalhadores, Rui Spínola, que falava em conferência de imprensa em Lisboa, avançou que será criado um grupo de trabalho pela tutela para avaliar as implicações da transferência dos trabalhadores do Infarmed para o Porto e se a conclusão for "não passar a agência (para o norte do país) a decisão volta atrás”.

Os trabalhadores da instituição vão pedir reuniões com o Presidente da República, com o primeiro-ministro e com os grupos parlamentares para analisar esta decisão do ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, que classificam de “inesperada e extemporânea”, ressalvando que não se trata de uma tomada de posição contra a cidade do Porto.

Durante o plenário de trabalhadores hoje realizado foi feito uma "sondagem" e num total de 321 respostas, 312 colaboradores (97%) responderam que não concordam com a decisão de mudança do Infarmed e 291 (92%) responderam que não estão disponíveis para integrar esta transferência.

“Estes resultados demonstram a inequívoca união dos nossos trabalhadores perante uma situação inesperada para a qual não foi apresentada qualquer fundamentação técnica”, disse Rui Spínola.

O anúncio do Governo terá apanhado, esta terça-feira, de surpresa, a maioria dos trabalhadores da autoridade, que no momento seguinte manifestaram logo a sua indignação e garantiram que iam avaliar a situação.

Ontem também, minutos depois de o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, ter anunciado que a sede da autoridade nacional do medicamento vai  para o Porto a 1 de janeiro de 2019, o autarca disse que: “Queria agradecer ao Governo por tomar esta decisão e dar nota de que nós, quando não estamos satisfeitos com modelos centralistas, também estamos satisfeitos e agradecemos quando se tomam medidas desta natureza.”

O anúncio da transferência da sede do Infarmed para o Porto aconteceu um dia depois de esta cidade ter sido afastado da corrida à sede da  Agência Europeia do Medicamento (EMA), tendo Amesterdão sido escolhida para o efeito.