As imagens que constam do relatório do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais mostram a grande proximidade entre as linhas da EDP e a vegetação nos locais onde terá começado grande parte do incêndio de Pedrógão Grande, que acabou por matar mais de 60 pessoas.

Este documento, que foi entregue à ainda ministra da Administração Interna na segunda-feira, é perentório nas conclusões: o fogo foi causado por “contactos entre a vegetação e uma linha elétrica de média tensão” da EDP, que “não se encontrava devidamente cuidada”.

“O incêndio mais grave resultou das ignições de Escalos Fundeiros e de Regadas, que, em nosso parecer, terão sido causados por contactos entre a vegetação e uma linha elétrica de média tensão. Esta situação configura, em nossa opinião, uma deficiente gestão de combustíveis na faixa de proteção da linha, por parte da entidade gestora.”

O relatório conclui que “com a diferença de cerca de uma hora e meia, esta linha terá produzido descargas e causado as ignições que deram origem aos dois incêndios”.

Acrescenta ainda que “as faixas de proteção da rede elétrica de média tensão gerida pela EDP não se encontram devidamente cuidadas”.

“A falta de manutenção destas faixas faz com que existam, ao longo dos muitos quilómetros de linhas que percorrem todo o território e o abastecem de energia elétrica, pontos ou zonas em que a distância entre os cabos e a vegetação é inferior à requerida para que em dias de vento o movimento dos cabos e da vegetação não dê origem a toques entre ambos, que podem originar descargas elétricas e causar incêndios.”

Já o relatório da comissão técnica independente, entregue ao Parlamento na semana passada, prefere citar conclusões da GNR e da Polícia Judiciária, segundo as quais o fogo “teve origem na linha elétrica, por contacto ou descarga”, tendo “como origem primária a incidência de um raio em linha de média tensão”.

Os peritos admitem que observaram que esta linha se encontra “muito próxima da copa das árvores” e que “o ponto de ignição se situa num troço da linha de média tensão que numa extensão de 500 metros estava desprovido de faixa de proteção”.

Sobre a falta de limpeza perto das linhas elétricas, este relatório aponta que "não existem evidências de gestão de combustível (mesmo que só superficial) no troço de 500m sob a linha de média tensão que inclui o ponto de início, responsabilidade da EDP, tal como atestado nas visitas ao local e observado na figura seguinte".

Entrevistado pela TVI na segunda-feira, o administrador da EDP Martins da Costa garantiu que "as faixas estavam limpas" e "tinha havido uma inspeção visual no terreno dois meses antes".

"Todos os dados que dispomos indicam em sentido contrário [ao do apontado pelos especialistas]. Todo o trabalho que EDP Distribuição tem vindo a desenvolver é de alta prevenção." 

Segundo este responsável, a EDP Distribuição gasta cerca de cinco milhões de euros por ano a limpar a vegetação perto das linhas e a assegurar que estas estão à distância exigida por lei, através de inspeções no terreno e aéreas.