O ex-candidato do PSD/Açores à Câmara da Lagoa Gaspar Costa, condutor num acidente em que morreu um jovem, afirmou esta quinta-feira que a velocidade a que seguia "não era suficiente" para o carro se descontrolar, admitindo a influência de fatores externos.

Gaspar Costa começou esta quinta-feira a ser julgado acusado de três crimes, entre eles homicídio por negligência, na sequência de um acidente em que morreu um jovem de 19 anos na madrugada de 04 de agosto de 2013.

O carro onde seguia com a sua namorada e, no banco traseiro, mais três jovens despistou-se e embateu numa árvore a seguir a um cruzamento no centro da Lagoa, ilha de São Miguel.

A acusação alega que o arguido conduzia “com uma taxa de álcool no sangue de pelo menos 1,57 gramas/litro e a uma velocidade concretamente não apurada, mas superior a 50 quilómetros por hora”, com “a capota do veículo aberta”. Perante o juiz, o arguido disse ter estado a jantar e posteriormente numa festa, em altura de pré-campanha, mas não se sentia embriagado.

“Nunca tive um acidente. Não circulo em excesso. Foi a pior situação de toda a minha vida”, sustentou, assegurando que deu boleia aos três jovens perante “a insistência” deles para andarem num descapotável.


Gaspar Costa, que julga não ter ultrapassado os 50/60 quilómetros hora, afirmou que durante o trajeto disse “várias vezes” aos jovens para colocarem os cintos (que usava, tal como a namorada) e para se sentarem, alegando que os via pelo espelho “de pé, a tirarem fotos”.

O arguido referiu que os jovens é que pediram para abrir a capota do descapotável e que não acelerou em demasia “nem pretendia mostra a potência do carro”.

Disse também ter ficado em dúvida sobre o que se terá passado com o carro, já que sentiu a traseira a fugir depois de ter passado uma tampa de saneamento, pelo que ligou para o mecânico, que notou “uma pressão anormal” no pneu.

Admitindo “carregar para o resto da vida o dia do acidente”, declarou que prestou auxílio à namorada e ainda chamou por um dos outros acidentados, que estavam deitados no chão, mas uma agente da PSP de Lagoa afirmou no julgamento que o arguido “não estava no local do acidente no momento” em que ela chegou.

A jovem que sofreu ferimentos mais graves, namorada da vítima mortal, sustentou que o arguido “ia mais depressa em relação a um carro normal” e “queria só acelerar”. Confirmou que no banco traseiro nenhum dos ocupantes ia com cinto, mas apontou que no seu caso não havia cinto, já que apenas havia lugar para duas pessoas.

A jovem rejeitou que os três passageiros do banco traseiro tenham insistido para ir no carro e indicou que, tal como o seu namorado, foi convidada pelo outro rapaz que ia ao pé de si. Além disso, negou que Gaspar Costa lhes tivesse pedido para colocarem os cintos.

“Achei que o senhor Gaspar fosse responsável. Confiei no senhor Gaspar”, disse, salientando que nunca recebeu um pedido de desculpas pessoal do arguido.


Atualmente, é acompanhada por um psicólogo e um psiquiatra. Já fez uma cirurgia plástica e mantém várias sequelas.

O outro jovem que seguia no banco traseiro, e que contou ter feito um vídeo, confirmou que a dada altura o arguido acelerou o carro e admitiu não tinha então o cinto. Porém, não soube indicar se foi o arguido a oferecer boleia ou se foram os passageiros que insistiram.

O jovem disse não ter apresentado queixa por ninguém o ter obrigado a entrar no carro.

Contudo, a namorada do arguido confirmou que deram “boleia aos miúdos porque insistiram que queriam andar num carro descapotável” e negou ter indicado a Gaspar Costa para abrandar, como tinha dito em tribunal a namorada do jovem falecido.

A mulher rejeitou também que Gaspar Costa tenha acelerado para exibir o carro e considerou que a condução era “normal” e que, juntamente com o arguido, pediu várias vezes aos passageiros para colocarem os cintos.

Devido às declarações do arguido, o tribunal vai fazer uma perícia “com a máxima urgência” para apurar, entre outras informações, a velocidade a que seguia o carro e a possível interferência das tampas de saneamento.

O arguido foi apresentado como candidato independente com o apoio do PSD à Câmara da Lagoa nas autárquicas de 2013, candidatura que acabou por retirar, após o acidente.