Investigadores e professores do ensino superior fazem hoje greve contra os problemas que enfrentam, como a falta de financiamento, e vão, simbolicamente, um dia depois da sua abertura, declarar o encerramento do ano letivo.

No Instituto Superior de Engenharia do Porto docentes e investigadores, numa ação de protesto, vão declarar o encerramento do ano letivo, entre as 11:00 e as 13:00.

A decisão de convocar uma greve foi tomada na sequência de uma reunião do Conselho Nacional do Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup), na passada semana, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade Nova de Lisboa, na qual foram decididas as ações a tomar contra os problemas que consideram afetar o ensino superior e a ciência.

António Vicente, presidente do sindicato, referiu que o SNESup pretende chamar a atenção para problemas como a precariedade, que afeta 50% dos docentes do ensino superior, ou 80% se se tiver em conta apenas o ensino superior privado, a carga letiva excessiva e a falta de financiamento para ensino superior e ciência.

“São problemas de tal maneira graves que no dia seguinte ao início das aulas em muitas das instituições será necessário declarar o encerramento do ano letivo, porque não há condições para que ele possa prosseguir de forma normal e com a dignidade que seria desejável”, declarou, acrescentando que “há uma situação de muita instabilidade que importa resolver rapidamente”.


O agendamento de novas ações de protesto fica dependente “do que acontecer em termos de resultados eleitorais”, esperando o sindicato que o próximo Governo tenha abertura para resolver os problemas.

António Vicente disse à Lusa que acredita que a greve será “um momento muito participado”, com grande adesão dos docentes e investigadores.