As contas da Câmara do Porto de 2013 foram aprovadas nesta terça-feira com a abstenção dos vereadores do PS, que votaram «em coerência com a avaliação» feita à gestão do ano passado e dos mandatos anteriores, liderados por Rui Rio.

As contas foram aprovadas com os votos a favor dos eleitos pela lista independente de Rui Moreira e dos três vereadores do PSD, tendo o vereador da CDU votado contra.

Os três vereadores do PS apresentaram uma declaração de voto na qual não questionam o rigor das contas, mas dizem estar em causa «muito mais do que essa apreciação contabilística», cita a Lusa.

«Fazemos um balanço muito negativo do que estes anos [dos três mandatos de Rui Rio] significaram para o Porto», frisam.

Os socialistas criticam o facto de a reabilitação dos bairros sociais não ter sido acompanhada do correspondente investimento na promoção social dos seus moradores e na criação de condições para um melhor desenvolvimento pessoal e familiar, referindo que «a cidade é hoje mais desigual e pobre do que no início do milénio».

«Foi dado impulso à reabilitação urbana, mas com uma orientação política que afasta as pessoas de menores recursos do centro histórico da cidade», acrescentam os socialistas, que após as eleições de setembro de 2013 fizeram uma coligação com o presidente da Câmara, o independente Rui Moreira.

Para os socialistas, é positivo o equilíbrio das contas municipais de 2013, mas ainda assim «também aqui ficou muito por fazer, designadamente na otimização de receitas relacionadas com a penalização fiscal de imóveis degradados e em ruína, medida que tem resultados ridículos, se comparados com a degradação do edificado portuense».

O vereador do PSD Ricardo Valente saudou as contas, destacando a credibilidade da execução orçamental, com um «rácio entre a receita orçamental e a receita cobrada de 98%, o que é excecional» e mostra como «o Porto é um exemplo para o país».

O vereador da CDU, Pedro Carvalho, reafirmou que estas contas demonstram como era possível «fazer muito mais e melhor»: «Este relatório de gestão de 2013 dá margem e confiança de que podemos ter uma política alternativa.»