O número de portugueses que chegou ao Reino Unido para trabalhar afundou 26% em 2017 relativamente ao ano anterior, com menos quase 8.000, regredindo para perto dos valores registados em 2012, indicam estatísticas oficiais britânicas publicadas esta quinta-feira.

De acordo com o Ministério do Trabalho e Pensões britânico, no ano passado registaram-se na segurança social 22.622 portugueses, menos 7.921 do que em 2016, quando se inscreveram 30.543 portugueses.

Este número confirma a tendência de descida já registada em 2016, e sobretudo desde o voto a favor da saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit), caindo para menos de 30.000 novos imigrantes portugueses pela primeira vez em cinco anos e aproximando-se dos 22.443 contabilizados em 2012.

No geral, no ano passado registaram-se menos 128 mil europeus do que em 2016, uma redução de 21%, com destaque para a Polónia (-34%), Hungria (-29%) e Espanha (-25%), além de Portugal.

Este movimento surge desde o referendo de 23 de junho de 2016, quando 52% dos eleitores votaram a favor da saída do país da UE, que vai acontecer oficialmente a 30 de março de 2019.

A inscrição na segurança social britânica é obrigatória para pessoas que queiram trabalhar no país pela primeira vez.

Estas estatísticas foram publicadas no âmbito do relatório trimestral sobre a migração do Office for National Statistics (ONS), o organismo responsável pelas estatísticas no Reino Unido, e que deu conta não só de uma contração da chegada, mas também do aumento das partidas de europeus.

Segundo o ONS, imigraram para o Reino Unido 220 mil cidadãos da União Europeia entre setembro de 2016 e setembro de 2017, menos 47 mil do que nos 12 meses entre setembro de 2015 e setembro de 2016.

Do Reino Unido saíram 130 mil europeus entre setembro de 2016 e setembro de 2017, o valor mais elevado desde 2008.

Apesar de o balanço ainda ser positivo em termos de imigração, é notória também uma subida do número de imigrantes de países não europeus, mas a Chefe de Estatísticas de Migração Internacional do ONS, Nicola White, mostrou cautela em relacionar este movimento com o processo de saída da União Europeia.

"A Brexit pode muito bem ser um fator na decisão das pessoas se mudarem para ou do Reino Unido, mas a decisão que leva as pessoas a migrarem é complicada e pode ser influenciada por muitas razões diferentes", vincou.

Porém, o economista Jonathan Portes, professor na universidade King's College London, disse acreditar que a redução "se deve inteiramente ao fato de que, após o voto de Brexit, o Reino Unido se tornou significativamente menos atraente para os migrantes europeus, por razões económicas e psicológicas".