A greve dos trabalhadores da PT Portugal teve início às 00:00 desta sexta-feira. Em frente à sede da empresa, em Lisboa, protestam contra a transferência de funcionários para outras empresas do grupo Altice.

Mudança que já começaram, segundo disse à TVI, ainda esta madrugada, Jorge Félix, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Portugal Telecom (STPT): "37 trabalhadores, da área de informática, já foram transferidos. E agora são mais 118 trabalhadores. 96 da área de projeto e 22 da área de certificação de redes".

Jorge Félix acusa a Altice de querer transferir, "de forma unilateral e abusiva", estes trabalhadores para empresas do grupo Altice e Visabeira.

A Altice quer ver-se livre destes trabalhadores e nós estamos cá para os defender", afirmou aos jornalistas o responsável assim que começou a greve geral de 24 horas.

Presente no protesto, ao início da madrugada, esteve o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, para quem "os trabalhadores estão a ser profundamente desrespeitados"

Há uma tentativa de despedimento encapotado, mas não só, também com uma linha de assédio e terrorismo psicológico procurando desgastar cerca de 300 trabalhadores que estão isolados em fazer nada. Querem trabalhar e não os deixam trabalhar", afirmou Arménio Carlos à reportagem da TVI.

Os sindicatos afetos à PT e a Comissão de Trabalhadores (CT) convocaram a greve em protesto contra a transferência de 155 trabalhadores da operadora de telecomunicações para empresas do grupo Altice e Visabeira.

Face a esta greve, a PT Portugal, a parte do antigo grupo que detém a marca MEO e que ficou nas mãos da Altice, ativou planos de contingência e diz que estão assegurados os serviços mínimos. 

"Fui notificado email e por carta para garantir os serviços mínimos - hospitais, bombeiros, o SIRESP", disse um trabalhador.

Marcha até ao Palácio de Belém

Pelas 14:10, mais de dois mil trabalhadores da PT/MEO de todo o país, iniciaram, uma marcha de protesto da sede da empresa, em Picoas, Lisboa, até à residência oficial do primeiro-ministro.

Munida de centenas de apitos, bandeiras e dezenas de tarjas, a multidão começou a descer a avenida Fontes Pereira de Melo, escoltada pela polícia, em direção à praça Marquês de Pombal, seguindo depois pela rua de São Bento, passando pela Assembleia da República até à Calçada da Estrela.

O chefe do executivo, o socialista António Costa, fez declarações de apreensão para com o futuro da PT e a qualidade dos seus serviços, incluindo no debate parlamentar sobre o estado da nação. As palavras do primeiro-ministro mereceram críticas por parte da oposição (PSD/CDS-PP), por intromissão em negócios privados, enquanto BE e PCP exigiram a defesa dos direitos dos trabalhadores.

O secretário de Estado do Emprego, Miguel Cabrita, anunciou quarta-feira, no parlamento, que "está já em curso uma ação inspetiva" desencadeada pela Autoridade das Condições de Trabalho (ACT) sobre o processo de transferência de trabalhadores da PT Portugal para outras empresas.

O português e cofundador da Altice Armando Pereira declarou entretanto que o Governo português, "muitas vezes, não vê essa importância" do investimento que está a ser feito na economia de Portugal.

O grupo gaulês, que comprou há dois anos a PT Portugal por cerca de sete mil milhões de euros, anunciou em 14 de julho que chegou a acordo com a Prisa para a compra, por 440 milhões de euros, da Media Capital SGPS, SA, que detém a TVI, mas o negócio aguarda ainda pareceres da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) e da Autoridade da Concorrência (AdC).