Reduzir a quantidade de sal nas sopas e pratos confecionados nos restaurantes, até ao final de 2016, é uma das 14 propostas que o Governo concretizar, para reduzir o excesso de consumo de sal em Portugal, até 2025.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) e a União Europeia já recomendaram que Portugal reduza o consumo de sal, entre 3% a 4% ao ano, durante os próximos quatro anos, para que em 2025 o país consiga ter um consumo de sal de apenas cinco gramas por dia, por pessoa, ao contrário dos 11 gramas de sal/dia se agora consome em média, individualmente.

A Lusa teve acesso à lista das 14 propostas de uma estratégia que o Ministério da Saúde quer começar a desenvolver este ano, para reduzir o consumo de sal na população portuguesa, até 2025, e um dos objetivos é conseguir que, até ao final deste ano, o setor da restauração inicie, de forma gradual e faseada, a redução do “nível do sal adicionado ao produto final, através dos seus métodos, de preparação e confeção”.

Segundo a Direção Geral de Saúde (DGS), o setor da restauração deve desenvolver todos os esforços para uma redução gradual e faseada no teor de sal na sopa e acompanhamentos, até ao valor de referência de 0,2 gramas de sal, por cada 100 gramas de alimento.

O valor indicativo na redução média anual de sal situa-se nos 4% ao ano, nas diferentes categorias de produtos alimentares, designadamente no grupo dos cereais (pão, etc.), carnes e derivados de carne, refeições pronto consumo, batatas fritas e outros ‘snacks’ e molhos.

A estratégia do Governo para diminuir a ingestão de sal pelos portugueses passa também por vigiar a oferta de sal nos produtos alimentares à venda já utilizados, lê-se no documento facultado à Lusa pelo Ministério da Saúde e que foi elaborado por um grupo interministerial dinamizado pela DGS, através do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável.

“O consumo excessivo de sal pela população é um dos maiores riscos de saúde pública em Portugal, tornando-se urgente propor medidas para a sua redução”, e estima-se que a quantidade de sal presente na alimentação dos portugueses seja “o dobro daquela que é recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS)", lê-se no documento.

O Governo admite que a prioridade na restauração vai ser dada à sopa e ao prato e quer ver atualizado e publicado este ano o Referencial de Boas Práticas Nutricionais, para o setor da restauração.

No final de 2016, o setor da restauração deverá apresentar, com base nos resultados obtidos e derivados de trabalho interno, uma proposta de ações, ajustada e exequível, que vise reduzir o teor de sal na componente proteica do prato e nos pratos compostos, informa ainda a DGS.

Para conseguir concretizar as propostas, o grupo de trabalho interministerial recomendou à DGS/Ministério da Saúde, que devem “criar condições técnicas para fazer o acompanhamento em permanência da presente estratégia e das suas propostas”, assim como devem “estimular a comunidade científica a investigar na área”.

Preparar uma reunião intercalar a cada seis meses, para apresentação e discussão dos resultados obtidos, é outra das sugestões para que a estratégia de redução do sal seja eficaz.

O grupo de trabalho interministerial, para propor este conjunto de medidas para a redução do consumo do sal pela população foi autorizado pelo despacho de 29 de julho passado.