O Porto perdeu para Amsterdão, na Holanda, a sede da Agência Europeia do Medicamento, sabe a TVI, que acompanhou a votação desde Bruxelas.

A cidade holandesa foi escolhida através de sorteio, depois do empate com Milão (Itália) no final da terceira ronda de votações para a nova sede da EMA - European Medicines Agency, no original.

Copenhaga, na Dinamarca, ainda chegou a integrar a corrida com Amsterdão e Milão, mas não passou da primeira ronda.

O Conselho da União Europeia (UE) esteve reunido, nesta segunda-feira, para decidir para onde, de entre 19 cidades candidatas, seruia deslocada a Agência Europeia do Medicamento, que deixa o Reino Unido por causa do Brexit. O Reino Unido não participou neste encontro.

A votação decorreu na reunião do Conselho de Assuntos Gerais, em que participou a secretária de Estado dos Assuntos Europeus, Ana Paula Zacarias.

Na primeira volta, cada Estado-membro podia atribuir três, dois e um ponto às candidaturas, podendo haver de imediato uma vencedora se recolhesse o apoio máximo de pelo menos 14 votantes.

Tal não aconteceu, nem à primeira, nem à segunda volta, quando Copenhaga ficou fora da corrida.

Além do Porto, eram candidatas a sediar a EMA as cidades de Atenas (Grécia), Barcelona (Espanha), Bona (Alemanha), Bratislava (Eslováquia), Bruxelas (Bélgica), Bucareste (Roménia), Dublin (Irlanda), Helsínquia (Finlândia), Lille (França), Sófia (Bulgária), Estocolmo (Suécia), Varsóvia (Polónia), Viena (Áustria), Zagreb (Croácia) e ainda Malta, que não especificou a cidade.

O Palácio dos Correios, nos Aliados, o Palácio Atlântico, na praça D. João I, ou instalações novas na avenida Camilo Castelo Branco eram as três localizações propostas para a EMA no Porto, caso a cidade vencesse.

Marcelo sempre achou muito limitadas hipóteses do Porto

O Presidente da República disse que sempre considerou "muito limitadas" as hipóteses do Porto acolher a sede da Agência Europeia do Medicamento, uma candidatura "muito bem apresentada" e para a qual o Governo fez tudo o que podia.

Eu acho que a candidatura foi muito bem apresentada, mas as hipóteses, sempre achei que eram muito limitadas."

Questionado sobre se o Governo esteve bem na gestão deste dossiê, o chefe de Estado considerou que o executivo "fez o que podia e devia ter feito no quadro existente, mas sabendo que havia grandes limitações".

Porque havia equilíbrios e que se tornaram mais evidentes pela saída de outras candidaturas que podiam ter feito uma dispersão de votos", justificou.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, se tivesse sido Lisboa a candidata o desfecho seria igual, uma vez que "havia equilíbrios no quadro europeu em relação às várias agências que tornavam muitíssimo difícil à partida, quer para Lisboa quer para o Porto, a vitória".

"Mas, fez-se o que se devia fazer. Não deu, não deu. Não é uma desilusão porque também nunca tive expectativas excessivas", sublinhou.

Candidatura do Porto à EMA era "claramente das melhores"

O primeiro-ministro considerou que a candidatura do Porto à Agência Europeia do Medicamento era “claramente uma das melhores”, endereçando “uma mensagem de parabéns” à cidade e ao presidente da autarquia, apesar da eliminação na votação.

“Deixo ao Rui Moreira [presidente da câmara do Porto] e ao Porto uma mensagem de parabéns pela candidatura à EMA, claramente das melhores. O resultado confirma o Porto como uma grande cidade europeia e o seu extraordinário potencial. Continuaremos a trabalhar”, lê-se numa mensagem de António Costa publicada no Twitter, quando ainda não era conhecida a cidade escolhida para acolher a futura sede da EMA.

Sede da EMA era “batalha muito difícil”

O presidente da Câmara do Porto, o independente Rui Moreira, assinalou que a cidade entrou “na corrida” para acolher a sede da Agência Europeia do Medicamento para ganhar, mas sempre soube que era uma “batalha muito difícil”.

“Queríamos ganhar e entramos nesta corrida para ganhar. Mas sempre percebemos que a batalha era muito difícil. Apesar de geograficamente periférico, o país mostrou que tinha capacidade e que cumpria todos os critérios e que o Porto podia receber uma agência desta natureza e dimensão”, afirma o autarca, citado num comunicado enviado pela câmara.

A mobilização nacional pela candidatura à EMA marcou um ciclo “sem precedente”, em que o Governo, o corpo diplomático, o setor da saúde e do turismo, a Câmara Municipal do Porto e a sociedade civil se uniram em torno de uma candidatura que afirmou o Porto como uma cidade “ímpar” no contexto europeu, sustenta.

“A convergência entre todas as forças políticas da cidade e a articulação com o Governo que foi incansável na promoção da candidatura de Portugal. Creio que tudo foi feito para ganharmos e que o país saiu valorizado deste processo”, realça o autarca.

Felicitando Amesterdão pela vitória, a Câmara do Porto lembra que ficou à frente de cidades como Bruxelas (Bélgica) e Lille (França), terminando em sétimo lugar entre as 19 candidaturas apresentadas pelos 27 estados-membros.

“O facto de o Porto se ter posicionado entre as cidades favoritas para acolher uma das maiores agências europeias fez com que a cidade atingisse níveis de notoriedade, prestígio e reconhecimento nunca antes alcançados. Agora estamos ainda mais na mira dos investidores internacionais, para além de sermos um polo turístico de grande importância, hoje somos uma cidade para investir e para viver como há poucas na Europa”, frisa Rui Moreira.

Porto "não pode sentir-se diminuído"

O vereador socialista na Câmara do Porto Manuel Pizarro defendeu que a cidade “não pode sentir-se diminuída” com o resultado da candidatura a sede da Agência Europeia do Medicamento que, disse, irá deixar “uma marca no futuro”.

Eu estava mais contente se a decisão tivesse sido a seleção do Porto para o grupo final de votação, mas ainda assim quero valorizar que é a primeira vez na história que o Porto é apresentado pelo país como uma solução viável para a localização de uma agência internacional”, afirmou o também líder da federação distrital do PS/Porto.

“As três cidades mais votadas – Milão, Copenhaga, Amesterdão – são três grandes cidades europeias. E portanto o Porto não se pode sentir diminuído por ter ficado atrás de cidades desta dimensão e com este valor histórico”, destacou Manuel Pizarro.

Para o autarca, “esta campanha pelo Porto, que foi desenvolvida pelo estado português à escala europeia vai deixar uma marca para o futuro” e “de agora em diante nunca mais poderá ser ignorada a possibilidade de instalar uma grande instituição internacional” na cidade.

Pizarro admitiu, porém, que a campanha “porventura” terá começado “um pouco mais tarde” que outras.

Eu acho que essa turbulência [no início do processo, sobre a escolha da cidade a candidatar} só beneficiou o país porque se não tivesse sido o Porto o candidato, o resultado teria sido previsivelmente pior”, frisou.

O socialista admitiu ainda ter sempre considerado que a probabilidade de o Porto vencer “era pequena”, mas que “seria gravíssimo” que se tivesse desistido “de lutar por esta possibilidade”.

Só o facto de termos afirmado a nossa candidatura contribuiu em muito para o prestígio da cidade no plano europeu e internacional e isso é um resultado que ficará a crédito para o futuro”, salientou.

Para Manuel Pizarro, há que “aprender com tudo o que aconteceu neste processo, de bom e de menos bom”, para, em próximas ocasiões, ser possível obter melhores resultados.