As duas mulheres que começaram a ser julgadas por roubo de vários cheques em Ponta Delgada, incluindo à igreja de São José, não compareceram no início da audiência deste caso, que remonta a 2010.

Uma das arguidas acabou por não chegar a Ponta Delgada, nos Açores, proveniente do continente, enquanto a segunda não justificou a sua ausência pelo que o tribunal emitiu um mandado.

As duas mulheres, «ambas toxicodependentes de heroína», são acusadas de terem cometido, em coautoria material, vários crimes de furto qualificado, subtração de documento, de falsificação de documento, burla e extorsão na forma tentada, entre outubro e dezembro de 2010.

No início do julgamento, um dos lesados confirmou que as duas mulheres estiveram na sua residência a pretexto de «uma ida à casa de banho» e «roubaram quatro cheques em branco», mas acrescentou que na altura não se apercebeu do furto.

Já o padre da Igreja de São José, no Campo de São Francisco, em Ponta Delgada, não precisou com muito pormenor os alegados dois assaltos, «uma vez que tinha acabado de chegar à paróquia», mas afirmou que «a igreja perdeu dinheiro» com os «roubos», num valor estimado em mais de cinco mil euros.

Segundo explicou, «foram retiradas as coletas, cheques e ainda outros cheques referentes a pagamento de renda de casa à igreja» e «os cheques eram ainda do tempo» do pároco anterior.

O pároco confirmou, no entanto, o episódio relatado na acusação que dá conta de que uma das arguidas tentou trocar, numa bomba de gasolina, mais um cheque da Fábrica da Igreja de S. José, no qual ambas tinham colocado a quantia de 300 euros e uma imitação da assinatura do pároco, mas «não o conseguiram».

«Por sorte, fui à bomba de gasolina e apercebi-me de que duas senhoras estavam a tentar trocar um cheque da igreja e fui à polícia», afirmou ao tribunal.

Durante o julgamento, vários proprietários de estabelecimentos comerciais confirmaram também que as arguidas trocaram cheques da igreja para pagamento de compras com valores que elas próprias colocavam.

De acordo com a acusação, «as arguidas combinaram preencher e assinar os cheques com o nome do pároco e utilizarem as quantias em seu próprio proveito e benefício».

Os cheques, nos quais chegaram a colocar «a assinatura imitada do pároco», eram descontados em estabelecimentos, depositados ou utilizados para compras em vários estabelecimentos.

Os comerciantes explicaram que no fundo acabavam por aceitar os cheques porque não suspeitavam de irregularidades tratando-se de cheques da igreja.

Estas testemunhas afirmaram ainda que acabaram por ficar «lesados» e «com prejuízos» uma vez que os cheques foram «devolvidos pelos bancos» por terem sido «furtados».

As arguidas são também acusadas de retirarem «várias cartas» de caixas de correio com códigos de cartão de multibanco, chegando mesmo, numa situação, a efetuarem «a compra de droga» com «o dinheiro» de um levantamento.

As duas mulheres são também acusadas de roubo de cheques em viaturas, a pretexto de boleias que pediram.

Além disso, respondem em tribunal por roubo no «cofre de uma residencial» e de terem de abordado o dono da mesma dizendo-lhe que «conheciam indivíduos que eram capazes de lhe fazer mal» e «à sua família» e «pedindo-lhe uma quantia entre cem a duzentos euros em dinheiro».