Um incêndio está a deflagrar nesta terça-feira num prédio de quatro andares da Rua Cimo do Muro, na Ribeira, no centro histórico do Porto e, de acordo com o vereador Manuel Sampaio Pimentel, ainda "não é possível saber se há pessoas no edifício".

"A informação que temos é que o último andar do edifício é pernoitado por duas pessoas", disse o responsável pela Proteção Civil, à TVI.

Manuel Sampaio Pimentel afirmou, igualmente, que "ainda  não tem informação do número de desalojados" e que os prédios contíguos "foram evacuados".

Uma das locatárias do prédio afirmou à Lusa que o incêndio poderá ter tido origem na explosão do quadro elétrico do primeiro piso.

Segundo o testemunho de Joana Monteiro, no momento em que o fogo deflagrou, cerca das 11:30, não se encontrava ninguém na casa onde reside com a irmã e a mãe.

O comandante da Polícia Municipal do Porto, António Leitão da Silva, disse que, até ao momento, não há vítimas.

Segundo fonte dos bombeiros, a maior preocupação é que as chamas, que já alastraram ao segundo e terceiro piso do mesmo edifício, avancem para os edifícios contíguos.  O combate às chamas foi complicado por causa dos edifícios serem antigos e de difícil acesso, referiu o vereador da Proteção Civil.

No local estão diversos veículos dos Sapadores, uma ambulância, e carros da Polícia Municipal, cujos agentes já criaram um perímetro de segurança.

Às 14.33 o incêndio estava na “fase de rescaldo”.
 

Desalojados vão ter casa


O vereador da Proteção Civil da Câmara do Porto garantiu que os inquilinos desalojados vão ter casa, e os residentes insistem em manter-se a morar na zona.

“Nunca ninguém ficará sem casa”, declarou à Lusa o vereador da Proteção Civil do Porto, Manuel Sampaio Pimental, acrescentando que vai falar com a Segurança Social e seguir os procedimentos normais numa situação de realojamento.

O responsável disse que não havia vítimas até ao momento em que prestava as declarações, apenas "danos materiais".

“Não vou ficar na rua, aí não vou não! Têm de me dar uma casa na Ribeira”, exprimia Joana Monteiro, em lágrimas, depois de ver a sua casa, onde morava com a irmã e a mãe, incendiada com os pertences destruídos.

Também Noémia Campos, 79 anos, assegurava que a mãe de 89 anos, que morava no terceiro andar do edifício que ardeu hoje, tinha ficado sem casa e pedia à Câmara do Porto para que fosse encontrada uma solução habitacional na zona da Ribeira.

“A minha mãe não sai daqui, não vai para bairros com droga. A minha mãe nasceu aqui e fica aqui a morar”, declarava Noémia, chorosa.

Os prédios contíguos ao edifício de quatro andares que ardeu hoje na Ribeira foram evacuados por precaução, informou o vereador da Proteção Civil, acrescentando que os bombeiros estavam a proceder à limpeza de “entulho” que existia no primeiro andar do prédio e que dificultou o combate às chamas.