Ferro Rodrigues considerou esta quarta-feira, no debate quinzenal, que Passos Coelho é "previsível" e criticou a coligação por comemorar a saída da troika. Na resposta, o primeiro-ministro defendeu que todos os portugueses comemoram essa saída porque "sofreram muito".

"Com a troika era mau, sem a troika é péssimo", atacou Ferro Rodrigues, lembrando que o PSD em 2010 e 2011  “ajudou” à criação de condições políticas para a chamada da troika.

 
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“Apesar da campanha de embuste, foram para além da troika”, disse o líder da bancada parlamentar do PS que sustentou que os objetivos que agora propostos pelo PSD são inferiores aos de 2011, nomeadamente, no desemprego.  

"Começam a ser previsíveis as intervenções que o senhor primeiro-ministro faz neste parlamento, em correlação com as últimas semanas da propaganda do Governo e da coligação CDS/PSD. Fez uma intervenção com um enorme pendor burocrático, mais parecendo um relatório de um conselho de administração", apontou Ferro Rodrigues, numa alusão ao discurso de Passos Coelho que abriu o debate quinzenal.


Ferro Rodrigues considerou que é um “insulto” para os portugueses comemorar a saída da troika, enumerando as consequências da governação da "direita conservadora".  "Os senhores têm o livro negro dos recordes.(...) Recorde absoluto de Emigração, recorde absoluto de Dívida Pública", disse.
 

O primeiro-ministro respondeu e arrancou aplausos da bancada parlamentar, dizendo que: prefere " ser muito previsível do que regressar aos tempos da imprevisibilidade (…) É bom sermos previsíveis quando podemos apresentar resultados como os que apresentámos", disse  numa alusão ao último executivo de José Sócrates e à entrada da ‘troika' (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia) em Portugal, em maio de 2011.


Passos Coelho respondeu depois ao "insulto" aos portugueses:


"Todos os portugueses percebem porque é que nós comemoramos a saída da troika e todos eles comemoram essa saída, porque todos eles se esforçaram muito para que isso fosse possível", defendeu. "Não sei o que entende por insulto e desprezo pelos que sofreram. Por sabermos o que os portugueses sofreram é que tudo faremos para que a troika não regresse", contrapôs.



Pedro Passos Coelho lamentou que o PS tenha recusado sujeitar à Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) o seu cenário macroeconómico e insistiu nas críticas à linha económico-financeira proposta pelos socialistas.


"Até hoje o programa que o PS apresentou resume-se a mais consumo, a uma estratégia de crescimento liderada pelo consumo, rendimento disponível dado às pessoas de forma artificial, sem qualquer compensação orçamental devida para a Segurança Social. Isso é prosseguir para o futuro a política que nos conduziu ao resgate", sustentou o primeiro-ministro.


O CDS-PP entrou nas críticas ao PS afirmando que o PS, sente a falta da troika.  "Um partido que trouxe a troika para Portugal para ganhar eleições não pode perceber que se celebre o fim da troika. Estão mesmo com saudades dela e, se vierem a ter responsabilidades, vão trazê-la de volta", disse Nuno Magalhães.


O deputado democrata-cristão atacou o PS lembrando as medidas do governo de José Sócrates em ano de eleições: "Em 2009, para ganhar eleições, houve o aumento da função pública para, dois anos depois, ir de mão estendida pedir assistência. Isso é que foi um insulto aos portugueses", lamentou ainda.