Algumas bebidas que parecem saudáveis, como sumos de fruta, podem ter mais açúcar do que uma lata de Coca-Cola. A conclusão é de uma associação britânica responsável pela saúde pública da maioria dos concelhos britânicos e que lançou um apelo aos fabricantes para «irem mais longe e mais rápido» na redução de açúcares nos produtos.

A «Local Government Association - LGA» descobriu, por exemplo, que o sumo de arando (baga da família do mirtilo) da marca «Ocean Spray» tem 11 gramas de açúcar por cada 100 mililitros e o sumo de romã da marca «Pomegreat» tem 12,1 gramas, mais que os 10,6 gramas de açúcar contidos numa lata de Coca-Cola. Ou seja, o equivalente a sete colheres de chá de açúcar.

«É totalmente inaceitável que uma lata de refrigerante do tamanho normal contenha 12 colheres de açúcar – o dobro do limite diário recomendado», afirma a presidente da do LGA, Izzi Seccombe, à imprensa britância

Responsável pela saúde pública de 370 concelhos em Inglaterra e no País de Gales, a LGA pediu aos fabricantes para seguirem o exemplo da empresa «Britvic» (responsável pela produção de vários sumos como «Robinsons», «Fruit shot» e «J2O») e comprometerem-se a reduzir em 20% as calorias das bebidas, no período de cinco anos.

«Algumas empresas estão dispostas a mudar e reduzir o açúcar. Outras simplesmente vão-se arrastando. É preciso ir mais longe, mais rápido», apela a presidente.

Uma em cada três crianças do ensino primário tem excesso de peso ou são obesas. Este dado assusta ainda mais a presidente que considera urgente a atividade física de todas as pessoas, mas principalmente nas pessoas que «abusam» nos açúcares.

«Produtos como estes estão a alimentar a obesidade e a ajudar a criar uma geração de crianças com excesso de peso», acrescenta Seccombe, que considera importante uma rotulagem mais clara do teor de açúcar.

Já o ano passado estas questões preocuparam o governo britânico que apelou aos pais que substituíssem todas as bebidas fabricadas por água durante as refeições.

Em Portugal, a prevalência da obesidade nas crianças encontra-se acima da média europeia, mas a tendência é de uma progressiva estabilização do problema, revelou, em 2014, Pedro Graça, da Plataforma Nacional contra a Obesidade (PNO).

«Os dados são interessantes no sentido em que continuamos a ter uma prevalência de obesidade nas nossas crianças acima da média europeia, à semelhança de outros países do mediterrâneo, mas a tendência é de uma progressiva estabilização. Estes países estão a regredir e a crescer menos, o que é bom e nos dá esperança no futuro, apesar dos valores altos», explicou o especialista.


Segundo um estudo publicado esta quinta-feira pela revista Lancet, Portugal é o terceiro país da europa ocidental com maior percentagem de raparigas obesas e com excesso de peso, problema que afeta 27,1% das jovens portuguesas.

Um outro estudo, também divulgado em 2014, revelou que uma em cada três crianças tem excesso de peso e que a obesidade afeta 14,6% das crianças portuguesas com idades entre os 6 e os 9 anos. Já 21% apresentam sinais de pré-obesidade, indica o último estudo conhecido do Sistema de Vigilância Nutricional Infantil (COSI Portugal) realizado em 2010.