Os deputados de todos os grupos parlamentares aprovaram por unanimidade, esta sexta-feira, o projeto de resolução que concede honras de Panteão Nacional aos restos mortais de Eusébio.

«Conceder honras de Panteão Nacional aos restos mortais de Eusébio da Silva Ferreira, homenageando o símbolo nacional, o homem solidário o futebolista e o desportista excecional, evocando o seu estatuto de verdadeiro marco na divulgação e na globalização da imagem e da importância de Portugal no Mundo», lê-se no documento.

O texto prevê a constituição de «um grupo de trabalho, composto por representantes de cada grupo parlamentar com a incumbência de determinar a data, definir e orientar o programa da trasladação, em articulação com as entidades públicas e demais instituições envolvidas, bem como os seus familiares próximos».

A esmagadora maioria dos deputados aplaudiu a aprovação aquando da votação, com a parlamentar independente do PS Isabel Moreira a ovacionar de pé.

«Buscava o golo mais que golo/Só palavra/Abstração/Ponto no espaço/Teorema/Despido do supérfluo/rematava/E então não era golo/era poema», declamou o deputado socialista Ramos Preto, citando o poema do histórico militante do PS Manuel Alegre.

O social-democrata Duarte Marques destacou que o atleta, nascido em 25 de janeiro de 1942 na então Lourenço Marques (atual Maputo) e que se notabilizou ao serviço do Benfica e da seleção portuguesa de futebol, «foi sempre símbolo de união e de fairplay (desportivismo)», sendo um «exemplo para a Comunidade de Países de Língua Portuguesa e para a cultura lusófona».

«A iniciativa, sendo de todos, não é apócrifa (sem assinatura)», lembrou o democrata-cristão Telmo Correia, autor da primeira versão do texto, antes de citar Camões para justificar a trasladação dos restos mortais do desportista: aqueles que «se vão da Lei da morte libertando», tornando-se imortais.

O líder parlamentar do PCP, João Oliveira, referiu que a resolução «da Assembleia da República corresponde ao reconhecimento e à identificação do povo português para com Eusébio, futebolista genial e símbolo maior do desporto nacional», enquanto o seu homólogo do BE, Pedro Filipe Soares, lembrou que «a decisão de o tornar herói nacional» não pode ser tomada pelo parlamento, pois «ela já está tomada» pelo país.

«O Pantera Negra deu muito ao Benfica, mas também deu muito à seleção nacional e ao país, sendo difícil contabilizar os pontos que deu ao país ao longo da sua vida», afirmou o deputado ecologista José Luís Ferreira.

A poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen foi a última personalidade portuguesa a merecer honras de Panteão Nacional por proposta de PSD e PS que obteve unanimidade em fevereiro de 2014, tendo a cerimónia decorrido em julho.

Eusébio da Silva Ferreira, para muitos o melhor futebolista português de sempre, morreu na madrugada de 05 de janeiro de 2014, aos 71 anos, vítima de paragem cardiorrespiratória.

Também carinhosamente tratado por «King», foi eleito o melhor jogador do mundo em 1965 e conquistou duas Botas de Ouro (1967/68 e 1972/73).

No Mundial de 1966, disputado em Inglaterra, foi considerado o melhor jogador da competição, na qual foi o melhor marcador, com nove golos, com a «seleção das quinas» a classificar-se no terceiro lugar.