O prolongamento de aulas para os alunos do 4.º e 6.º ano sem aproveitamento no final do ano praticamente não produz resultados à disciplina de Matemática, tendo em conta os resultados obtidos no exame de 2.ª fase, hoje conhecidos.

Os resultados divulgados hoje pelo Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) demonstram que os alunos destes anos de escolaridade, que no final do ano prestam provas a Português e Matemática, se não obtém aproveitamento a Matemática ao longo do ano letivo e no exame da 1.ª fase dificilmente serão os 15 dias de prolongamento de aulas e apoio escolar à disciplina previstos que vão permitir chegar a resultados positivos.

Segundo os dados do IAVE, dos alunos do 4.º ano que realizaram provas finais de Matemática na 2.ª fase, apenas 19% conseguiram, nesta que é a última oportunidade para transitarem de ano, melhorar resultados e obter aproveitamento à disciplina.

Um total de 293 alunos do 4.º ano, em 1.546 inscritos, realizou este ano a prova de Matemática na 2.ª fase com aproveitamento.

Já no que diz respeito ao 6.º ano, os resultados na 2.ª fase a Matemática são ainda mais limitados: em 6.944 alunos inscritos apenas 388 (5%) obtiveram aproveitamento. Ainda que em termos percentuais o nível de sucesso seja igual ao de 2014 (5%), havia este ano cerca de menos cinco mil alunos do 6.º ano inscritos para esta fase da prova final de Matemática.

Sobre os resultados, o IAVE adianta que para o 4.º ano a classificação média é inferior a 40% em todos os domínios avaliados. Para o 6.º ano a classificação média situa-se entre os 15% e os 31%.

Já a Português o período de prolongamento extraordinário de atividades para os alunos reprovados à disciplina nestes ciclos de ensino produz resultados mais expressivos: no 4.º ano 56% obteve aproveitamento, e no 6.º ano 60% dos inscritos chegaram a resultados positivos.

Ainda assim, a média global à disciplina na 2.ª fase é negativa para os dois anos em causa: 48,7% para o 4.º ano, e 49,8% para o 6.º ano, neste caso apenas a duas décimas dos 50%.

Face a 2014, os alunos do 6.º ano demonstraram conseguir retirar um maior aproveitamento deste período, uma vez que a taxa de aprovações subiu de 35% na 2.ª fase de 2014 para os 60% em 2015. No 4.º ano a subida foi dos 38% para os 56%.

No que diz respeito aos resultados, os alunos do 4.º ano demonstraram ser melhor a Educação Literária e Escrita, com estes dois domínios a registarem médias positivas nas classificações. Os do 6.º ano conseguiram média positiva em todos os domínios, exceto em Educação Literária (41%).

De acordo com os dados do Ministério da Educação e Ciência (MEC) as provas finais do 1.º e 2.º ciclos foram realizadas em 1.400 escolas do continente, ilhas e estrangeiro (com currículo português) e foram corrigidas por 1.094 professores classificadores.
 

“O Ministério reforça a necessidade de serem tomadas as medidas de apoio adequadas e necessárias a partir do momento em que são detetadas as primeiras dificuldades dos alunos. Estas medidas devem proporcionar aos alunos um estudo mais intensivo e sustentado das disciplinas fundamentais, contribuir para colmatar as deficiências de aprendizagem e criar uma base mais sólida para o prosseguimento de estudos no ciclo seguinte”, refere o MEC em comunicado.


As provas dos alunos destes anos de escolaridade são avaliadas de 0 a 100%, que se converte depois numa escala de 1 a 5, com a positiva mais baixa a corresponder ao nível 3, que se inicia nos 50%.