Um militar português morreu no ataque que ocorreu domingo, em Bamako, capital do Mali, confirmou a TVI. Tinha 40 anos, era natural de Valongo e prestava serviço no Comando de Pessoal no Porto, disse à Lusa fonte do Exército.

O Sargento-Ajudante Paiva Benido, casado e com duas filhas menores, integrava o contingente nacional na Missão de Treino da União Europeia no Mali, composto por 10 elementos.

Uma nota do Exército adianta que o militar morreu "devido a confrontos ocorridos na sequência de um ataque de elementos rebeldes que provocou outras baixas entre elementos de outros contingentes".

O Estado-Maior-General das Forças Armadas lamenta informar que, no âmbito da Força Portuguesa que está ao serviço da União Europeia no Mali (European Union Training Mission - EUTM Mali), ocorreu um ataque terrorista nas imediações de Bamako, pelas 16h00 horas do dia 18 de junho, de que veio a resultar uma vítima do contingente militar português".

 

Em comunicado enviado à TVI, as Forças Armadas explicam que o local onde ocorreu o ataque (Hotel Le Campement Kangaba) utilizado como Wellfare Center entre os períodos de atividade operacional dos militares que prestam serviço neste país.

 

Encontravam-se no local vários militares da força internacional de diversos países, entre os quais dois portugueses. Mais se informa que o segundo militar português saiu ileso deste ataque".

 

A família do militar em causa já está informada sobre o que aconteceu e a receber apoio psicológico.

Já foi decidido instaurar um inquérito, no sentido de esclarecer as circunstâncias que envolveram o ataque terrorista em Bamako.

"Este foi sem dúvida um ataque terrorista", disse o ministro Salif Traore, à Radio France Info, citado aqui pela Reuters. 

"As forças antiterroristas chegaram ao local imediatamente a seguir. Cinco terroristas foram mortos"
 

De acordo com a AFP, as forças de segurança detiveram esta segunda-feira cinco homens suspeitos de terem participado no ataque "jihadista" durante o qual o militar português foi morto.

As detenções foram anunciadas pelo ministro da Saúde do Mali, o general Salif Traoré, segundo o qual pelo menos outros quatro atacantes foram mortos durante o ataque.

O ministro francês da Defesa Nacional, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, e o chefe do Exército expressaram já profundo pesar pela morte do militar português.

Em nome pessoal e do Governo, José Alberto Azeredo Lopes manifestou "profundo pesar pelo falecimento do militar" do Exército português ao serviço da Missão de Treino da União Europeia no Mali, vítima de um ataque terrorista ocorrido no domingo.

Segundo um comunicado, o ministro da Defesa visitou hoje de manhã a família do militar, acompanhado pelo chefe do Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte, para prestar "os mais profundos sentimentos e solidariedade" numa "hora de dor e sofrimento".

Vigésima baixa em missões no estrangeiro desde 1992

O sargento-ajudante Paiva Benido é o 20º militar a morrer em missões exteriores de forças portuguesas desde 1992. 

Em 2005, o sargento dos Comandos João Paulo Roma Pereira, de 33 anos, natural de Alhos Vedros, morreu no Afeganistão quando o blindado em que seguia em patrulha foi atingido, um incidente em que ficaram feridos três outros militares portugueses ao serviço da NATO.

O ano de 1996 foi o mais mortífero para os militares portugueses em missões no estrangeiro, começando em janeiro, quando dois cabos paraquedistas, Alcino Mouta e Rui Tavares, morreram na Bósnia Herzegovina na explosão de uma munição não detonada que tinham levado para a caserna, que matou ainda outros soldados italianos da missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU).

Em outubro, um acidente de viação matou outros dois paraquedistas na Bósnia-Herzegovina, Francisco Barradas e Hugo Sousa.

Ainda nesse ano, mas em Angola, morria em outro acidente rodoviário o cabo Manuel Janeiro Gonçalves, quando estava ao serviço da missão de manutenção de paz da ONU.

Em junho de 1998, morria outro militar português ao serviço da ONU, mas na Costa do Marfim, o capitão da GNR Álvaro Costa.

Entre 2000 e 2003, morreram quatro militares portugueses em serviço na missão das Nações Unidas UNTAET-PKF em Timor-Leste.

Os paraquedistas José Fernandes e José Lopes morreram em agosto de 2000, quando o helicóptero Alouette da Força Aérea em que seguiam teve um acidente na localidade de Same.

Em setembro de 2002, morria de causas naturais em Darwin, Austrália, o brigadeiro-general português Paulo Pereira Guerreiro, chefe dos observadores militares da ONU em Timor-Leste.

Em outubro desse ano, um atentado terrorista em Bali, na Indonésia, fez 202 mortos, entre os quais o paraquedista Diogo Ribeirinho, que fazia parte do contingente português em Timor-Leste.

O fuzileiro António Nascimento morreu de ataque cardíaco enquanto nadava numa praia na vila de Liquiçá, em março de 2003.

A 16 de julho de 2004, um acidente com uma empilhadora numa operação de descarga de alimentos matou o paraquedista Ricardo Valério, de 20 anos, em missão na Bósnia-Herzegovina.

Em 24 de novembro de 2007, um acidente com um blindado tirou a vida a Sérgio Pedrosa, paraquedista que estava com o contingente português ao serviço da NATO em Cabul, no Afeganistão.

No Kosovo, em março de 2010, o cabo José Bernardino, integrado na força da NATO, morreu após uma corrida da prova de aptidão física.

Em 21 de junho de 2010, o veículo em que seguia o sargento da GNR Hermenegildo Marques caiu numa ravina em Timor-Leste, provocando-lhe a morte e ferimentos em outro militar da GNR.

Em março de 2012, uma infeção pulmonar provocou a morte do alferes da GNR Daniel Varela Simões, em serviço em Timor-Leste, que tinha 27 anos.

O paraquedista Fernando Teixeira, que morreu em novembro de 1992 em São Tomé e Príncipe, e o primeiro-sargento Américo Dias, que morreu em novembro de 1995 em Angola, foram os outros dois militares portugueses mortos quando participavam em missões externas das Forças Armadas.