Morreu jovem de 17 anos internada com sarampo, no Hospital D. Estefânia, em Lisboa. Ontem, encontrava-se ventilada, sob sedação e o seu estado clínico era instável. Acabou mesmo por perder a vida.

Em conferência de imprensa conjunta, o diretor-geral de Saúde e o ministro da Saúde indicaram que a adolescente não estava vacinada. Segundo a TVI apurou, a jovem foi vacinada em bebé, por volta dos 12 meses, mas teve uma reação alérgica à vacina. Por isso, não levou o reforço da mesma, que acontece aos 5/6 anos.

A jovem sofria de Psoríase e estaria a tomar imunossupressores. Medicamentos que reduzem as defesas e, por este motivo, ficou mais suspectivel de apanhar doenças.

A jovem morreu durante a madrugada de hoje, quarta-feira, “na sequência de uma situação clínica infeciosa com pneumonia bilateral – sarampo”, de acordo com o Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC), numa nota enviada às redações.

A família acompanhou toda a evolução da situação clínica e o CHLC, com tristeza, lamenta a ocorrência e presta, publicamente, os seus sentidos pêsames”

Estava internada desde o fim de semana e terá sido contagiada por uma criança de 13 meses, não vacinada, que depois terá também contagiado quatro funcionários do hospital de Cascais, dois dos quais médicos. Na altura que a jovem e a crianças estiveram juntas, ainda não havia diagnóstico de sarampo no bebé.

A jovem acabou por ter alta e regressou a casa. Pouco tempo depois voltou a sentir-se mal e deslocou-se, novamente, ao Hospital de Cascais. É nessa altura que se descobre que tem sarampo.

No D. Estefânia, esta adolescente esteve num quarto de isolamento, o que lhe permitiu ter respiração assistida com ventilador, nos cuidados intensivos. Porém, o seu estado de saúde era "bastante grave", como assumiu ontem o diretor-geral de Saúde.

A transferência de Cascais para Lisboa foi feita porque o D. Estefânia é a única unidade de saúde com quartos de pressão negativa e cuidados intensivos necessários para este tipo de situações.

O número de casos de sarampo confirmados em Portugal subiu para 21 e há vários doentes sob investigação, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS). O diretor-geral, Francisco George, admitiu já que a hipótese de baixar a idade da primeira vacina está a ser estudada.

Desde janeiro, Portugal já registou mais casos de sarampo do que em dez anos. Entre 2006 e 2014 foram registados 19 casos. A doença estava erradicada em Portugal desde o ano passado. 

Começou precisamente hoje o terceiro período escolar e há dois dias que decorrem as matrículas para o pré-escolar e para o 1º ciclo. Ora, é na altura das matrículas que as escolas verificam o boletim de vacinas e alertam os pais, mas nunca podem recusar a inscrição a um aluno. A DGS criou e-mail para responder a dúvidas das escolas.

Com a vacinação gratuita das crianças, a partir de 1974, e sobretudo com a introdução de uma segunda dose de vacina em 1990, o sarampo acabou por se tornar quase uma doença esquecida ou invisível. Mas entre 1987 e 1989 tinham sido notificados em Portugal 12 mil casos, contabilizando-se 30 mortes.

Portugal chegou a ter uma taxa de vacinação superior a 95%. Hoje em dia, será inferior, por causa dos pais que optam por não vacinar os seus filhos. O principal argumento que usam é que as vacinas ‘mexem’ com a imunidade das crianças. Coloca-se a pergunta: Devem os pais ser responsabilizados por não vacinar os filhos?

O surto de sarampo tem afetado desde o início do ano vários países europeus.

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Esta é uma doença altamente contagiosa, geralmente benigna mas que pode desencadear complicações e até ser fatal. Pode ser prevenida pela vacinação, que em Portugal é gratuita.