Cerca de 50 pessoas por dia têm sido vacinadas contra a hepatite A, mas as autoridades desejavam que o número fosse maior para mais rapidamente controlar o surto da doença em Portugal, com quase 200 casos confirmados. Para além do surto de Hepatite A, também há outro de sarampo, que já fez uma vítima mortal, uma jovem de 17 anos.

Quanto à hepatite A, o balanço de vacinação está aquém. A diretora do programa para as hepatites virais, Isabel Aldir, disse hoje, na comissão parlamentar de saúde, que o número de pessoas que deveriam ser vacinadas e o das que têm procurado a vacinação está abaixo do desejável.

Porquê? Falta de perceção de risco e receio de estigma podem ser razões que levam as pessoas a não se vacinarem, apontou aos deputados.

A Direção-geral da Saúde está a equacionar ter um posto móvel pelo menos na região de Lisboa e Vale do Tejo, região com a maioria de casos da doença, para chegar mais facilmente às pessoas que devem ser vacinadas.

Quem deve ser vacinado?

Os contactos próximos das pessoas que contraíram a doença (contactos íntimos e co-habitantes) devem tomar a vacina mas até agora só uma pessoa deste grupo apareceu para ser vacinada.

Atualmente há casos de hepatite A em todas as regiões de Portugal Continental e também nos Açores, mas a grande maioria (156) são em Lisboa e Vale do Tejo.

Homens jovens continuam a ser a população com mais casos, de um surto que inicialmente se verificou na população de homens que têm sexo com homens de forma desprotegida.

Do total de casos, 105 tiveram origem em contacto sexual e há pelo menos 50 casos nos quais não foi possível determinar a origem.

Em cerca de metade, ocorreu hospitalização dos doentes, mas os internamentos têm vindo a diminuir.

DGS reagiu a tempo

A responsável do programa das hepatites virais frisou ainda que a Direção-geral da Saúde não começou a reagir tarde ao surto de hepatite A. Foi assim que respondeu às críticas que têm sido feitas por alguns dos casos terem surgido em dezembro passado e a primeira norma sobre o surto ter sido emitida em março deste ano.

Isabel Aldir explicou que só no dia 6 de fevereiro foi possível identificar cinco casos que pertenciam à mesma estirpe. A partir daí, indicou, a DGS começou a partilhar informação com as administrações regionais de saúde e com todos os delgados de saúde do país.

Duas semanas depois, ainda em fevereiro, dos cinco casos tinha-se passado para nove casos da mesma estirpe, uma situação que é fundamental conhecer-se para se perceber se há ou não um surto.

Logo nessa altura, a responsável garante que começaram a ser feitos contactos para se averiguar do stock de vacinas e iniciou-se o processo para delinear uma orientação clínica.

O número de casos começou rapidamente a subir e a 22 de março havia 86 casos notificados, 38 pertencentes à mesma estirpe.

A doença

A hepatite A é geralmente benigna e a letalidade é inferior 0,6% dos casos. A gravidade da doença aumenta com a idade, a infeção não provoca cronicidade e dá imunidade para o resto da vida.

Calcula-se que em Portugal mais de 95% da população com mais de 55 anos esteja imune, dado que a doença chegou a ser frequente e começou a decair com a melhoria das condições sanitárias e socio-económicas.