O ministro da Educação, Nuno Crato, afirmou esta quinta-feira no parlamento que o Governo vai «iniciar o processo» para «obras de fundo» no edifício do Conservatório Nacional, uma «fase seguinte» às obras urgentes orçamentadas em 43 mil euros. 

Num debate parlamentar, agendado pelo Partido Socialista (PS) para discutir as políticas educativas, Nuno Crato anunciou aos deputados que o Governo pretende dar início ao processo de renovação do edifício que alberga a Escola de Música do Conservatório Nacional.

«A fase seguinte vai ser iniciar o processo para a renovação de fundo daquele conservatório», disse o ministro da Educação, depois de já ter referido as «obras urgentes», orçamentadas em 43 mil euros para «remendar telhado, teto e pátio», já consideradas pela diretora da escola como uma «intervenção paliativa».

A Escola de Música do Conservatório Nacional (EMCN) foi notificada a 30 de janeiro pela Câmara de Lisboa, após uma vistoria ao edifício, de que teria de encerrar, a partir de 16 de fevereiro, dez salas de aulas por questões de segurança. 

A 25 de fevereiro, a EMCN, em Lisboa, foi fechada a cadeado pelos alunos, que querem ver resolvidas as questões de segurança no edifício, situação que, segundo eles, se verifica há vários anos. No dia seguinte, alunos, pais e professores concentraram-se junto ao edifício, em Lisboa, de onde se dirigiram para a Assembleia da República.

Sem resposta por parte do Governo, a 2 de março, os alunos fizeram um protesto silencioso. Vestidos de preto e com um «caixão aos ombros», os alunos do Conservatório de Lisboa fizeram um cortejo fúnebre pelas ruas da baixa lisboeta, para alertar o Governo para a necessidade de obras da escola. 

Três dias depois, foi a vez de Nuno Crato afirmar que seria feito o que apenas esta quinta-feira foi anunciado. «Está prestes a ser iniciado um conjunto de obras de recuperação do telhado, que está na origem dos problemas mais graves que existem no Conservatório, e estamos a trabalhar com toda a rapidez possível para que isso seja resolvido», disse o ministro da Educação na altura.

Recorde-se que a comunidade escolar reclama uma intervenção de fundo no edifício, que se degrada há vários anos, mas só obteve autorização para reparações mais urgentes, que não incluem o sistema elétrico, «que também está em risco».