O presidente da Estradas de Portugal (EP), António Ramalho, negou nesta quinta-feira a intenção de construir, pelo menos nos próximos cinco anos, os túneis na Serra da Estrela reivindicados pelos autarcas da região.

«Só em investimento estávamos a falar de mil milhões de euros e, eu acho, que em Portugal temos outras prioridades», afirmou António Ramalho, quando confrontado pelos jornalistas com a reivindicação antigo dos autarcas da região, em declarações à margem de uma visita que fez ao Centro de Limpeza de Neve, localizado nos Piornos, exatamente na Serra da Estrela.

Questionado pela agência Lusa sobre esta reivindicação, o presidente da EP respondeu que a obra não está contemplada plano de investimentos daquela empresa pública.

«No quadro do plano a cinco anos, que está aprovado e divulgado, não está esse tipo de investimento e, portanto, isso significa que, basicamente, não devemos estar a pensar no investimento que não vamos realizar», especificou.
António Ramalho lembrou ainda que a questão foi estudada «na devida altura» e no «quadro das parcerias público-privadas», que entretanto acabaram por não se concretizar.

O presidente da EP referiu que «esta é uma situação que vai manter-se, até porque, neste momento, a prioridade de Portugal está centrada no reforço do investimento ferroviário de acesso aos portos e não nos investimentos rodoviários».

A construção destes túneis é há muito reivindicada na Beira Interior e não está relacionada com o pedido de outras soluções para o acesso ao maciço central, mas sim com o atravessamento desta montanha através de túneis que ligariam duas encostas, designadamente entre os concelhos da Covilhã (distrito de Castelo Branco) e de Seia e Gouveia (distrito da Guarda).