A Câmara de Évora aprovou um plano de contingência para o apoio e proteção de emergência aos sem-abrigo do concelho, que atualmente são 72 pessoas, em períodos de tempo frio, proporcionando-lhes abrigo, aquecimento e alimentação.

O Plano de Contingência para Pessoas Sem-Abrigo perante Tempo Frio, aprovado na mais recente reunião de Câmara, por unanimidade, é uma iniciativa do município, através da Comissão Municipal de Proteção Civil, e da Rede Social do concelho.

Entendemos que era um assunto de extrema importância” e que “era preciso fazer alguma coisa”, atendendo ao “número de pessoas sem-abrigo que existem no município” e ao facto de se estar “a atravessar agora a época de frio”, disse esta segunda-feira à agência Lusa o vice-presidente da autarquia, João Rodrigues.

De acordo com o vereador, estão identificados em Évora 72 sem-abrigo, dos quais 44 pertencem a 12 famílias nómadas e os outros 28 são, igualmente, indivíduos “que estão na rua” e que não têm casa, o que totaliza “uma quantidade significativa” de pessoas.

Trata-se de um instrumento “bastante importante porque, tendo em conta as condições climatéricas, se a temperatura baixar bastante, temos de estar preparados para dar o mínimo de qualidade de vida a estas pessoas que estão na rua”, realçou João Rodrigues.

A câmara, em parceria com um conjunto de outras entidades locais, criou a Unidade de Rede Sem-Abrigo, para monitorizar, acompanhar e intervir junto dessa população, tendo sido decidido elaborar o plano de contingência.

O documento descreve a atuação dos serviços da autarquia e das entidades externas no que respeita ao conceito, à responsabilidade e à organização de operações, nos domínios da proteção civil e da intervenção social no concelho de Évora, em períodos de tempo frio.

A medida, frisou o município, pretende “garantir, junto destas pessoas, uma intervenção de emergência perante as baixas temperaturas de inverno”.

O plano pode ser ativado na sequência da emissão de avisos meteorológicos por parte do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) de previsão de tempo frio (quando os valores diários de temperatura mínima se preveem iguais ou inferiores a um grau, num período superior a 48 horas).

Perante estas “condições climatéricas frias”, o plano identifica “os locais onde as pessoas se podem abrigar, desde pavilhões gimnodesportivos ou cantinas”, explicou o vice-presidente do município.

“Os locais estão devidamente identificados” e, acrescentou, vão existir “equipas preparadas para os acolher” e para lhes proporcionar também “aquecimento e alimentação”, de forma a assegurar “alguma qualidade de vida” a estas pessoas.

De acordo com o documento, “a exposição pontual ou prolongada a baixas temperaturas, consequência da vivência na rua, por indivíduos com baixas condições” para “assegurar a sua proteção, conforto, alimentação, higiene e cuidados primários de saúde, não raras vezes coloca estes indivíduos em situações de risco imediato de saúde”.

O que, “aliado à sua natural vulnerabilidade, pode até conduzir a situações de consequências mais graves e até irreversíveis”, pode ler-se no plano de contingência.