Os alunos que pertencem ao núcleo de estudantes do mestrado de Medicina da Universidade do Algarve (NEMed/UAlg) decidiram hoje não comparecer às atividades letivas a partir de segunda-feira, na sequência da demissão da direção da escola.

De acordo com uma nota do núcleo de estudantes, os alunos «reiteram o seu integral apoio à direção» do mestrado de Medicina da Universidade do Algarve, que hoje se demitiu acusando o reitor da instituição de «condicionar» a autonomia pedagógica e científica do curso.

Já depois de se terem reunido com o Reitor, os alunos anunciaram que se propõem faltar a todas atividades letivas «até que haja desenvolvimentos favoráveis à resolução da situação», referem na nota.

A greve dos estudantes do mestrado de Medicina da Universidade do Algarve arranca na segunda-feira e os alunos iniciam o protesto com uma concentração a partir das 09:00, em frente à Universidade.

Um dos estudantes de medicina adiantou à Lusa que a suspensão de atividades letivas vai manter-se até que lhes seja assegurado que aqueles professores que se demitiram da direção do curso «não vão ser substituídos».

Os estudantes do curso de Medicina reuniram hoje à tarde com o reitor da Universidade do Algarve, João Guerreiro, após o anúncio da demissão em bloco da direção do curso.

A direção do Mestrado Integrado de Medicina da Universidade do Algarve demitiu-se em bloco na quinta-feira, após um «longo período de tentativas de resolução da situação», declarou hoje a diretora Isabel Palmeirim, durante uma conferência de imprensa realizada à tarde, em Faro.

A diretora demissionária do mestrado de Medicina da Universidade do Algarve acusou hoje o reitor da instituição de «condicionar» a autonomia pedagógica e científica do curso e disse haver «abutres» a quererem mandar na formação.

O argumento para apresentar a demissão ao reitor da Universidade do Algarve, João Guerreiro, foi o de que o responsável realizou um acordo com o Centro Hospitalar do Algarve que «condiciona a autonomia pedagógica e científica» daquele mestrado integrado (designação dada ao curso de Medicina).

O reitor da Universidade do Algarve disse aos jornalistas, por seu turno, que o protocolo é o mesmo do passado e que a autonomia pedagógica e científica não está em causa, classificando a demissão como um «flop».

O reitor asseverou, contudo, «que nunca houve qualquer interferência nessa autonomia» e frisou que «todas as iniciativas da universidade em relação ao exterior têm iniciativa da própria universidade».

O curso de Medicina do Algarve tem atualmente perto de 150 alunos e já se formaram 29 médicos desde que abriu, em 2009.