Seis meses após as cheias que fustigaram a baixa de Albufeira, as associações de comerciantes criticam os apoios financeiros criados, tanto pelo atraso, como pelas exigências feitas para aceder aos mesmos.

O presidente da Associação de Comerciantes e Serviços de Albufeira (ACOSAL), Luís Alexandre, disse à agência Lusa não ter conhecimento de quaisquer candidaturas apresentadas, até agora, pelos comerciantes e que a situação é de “zero apoios”.

“Aquilo que o ministro veio cá fazer não foi nem justo, nem sério. Chegar aqui perante milhões de euros de prejuízos e mandar as pessoas endividarem-se na banca é, de facto, uma coisa absolutamente absurda”, criticou.

O ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, deslocou-se a Albufeira em março para apresentar duas linhas de crédito, uma de 3,5 outra de 4 milhões de euros, para apoiar a revitalização dos setores do Comércio e Turismo do concelho.

As linhas de apoio foram criadas para dar condições aos empresários afetados pela intempérie de 1 de novembro, que inundou a baixa da cidade, em alguns casos até 1,80 metros de altura, e outras zonas daquele concelho algarvio.

“A situação dos comerciantes já era má na altura das cheias, mas a verdade é que as pessoas perderam as condições de trabalho e neste hiato de tempo, até agora, é evidente que a maior parte das pessoas não conseguiu recuperar as suas lojas nem repor as suas prateleiras”, observou Luís Alexandre.

Um dos maiores problemas apontados por aquele representante dos comerciantes são as condições de acesso aos apoios porque muitos dos empresários já estavam a manter os negócios com dificuldade, com “dívidas ao fisco e à Segurança Social”, deixando de ser elegíveis para qualquer verba.

O presidente da Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve (ACRAL), Álvaro Viegas, disse à Lusa que há condições para os comerciantes se candidatarem à linha de crédito para a revitalização do comércio, mas identificou problemas.

A exigência de comprovativo de inexistência de dívidas “é um fator inibidor, limitante para quem teve resultados negativos em 2014”, referiu, admitindo que este requisito não seria tão relevante numa situação económica nacional positiva.

Nas candidaturas, os comerciantes que antes das cheias já tinham acedido a apoios à modernização dos seus negócios nos últimos três anos também encontram limitações.

Os apoios à modernização têm um “plafond” até 200 mil euros por comerciante, durante um período de três anos, e os que acederam aos mesmos agora só podem pedir apoio se não tiverem esgotado o plafond máximo.

Para Álvaro Viegas, esta é uma injustiça, porque o comerciante que tinha investido recentemente no seu negócio e foi afetado pela intempérie fica limitado na recuperação do seu negócio.

A Lusa tentou obter esclarecimentos junto da Câmara Municipal de Albufeira, que escusou pronunciar-se sobre as críticas dos comerciantes, alegando que o processo ainda está em curso e que aguarda para fazer um balanço com números reais.