A greve da CP, prevista para segunda-feira, foi desconvocada devido a um acordo entre a empresa e os sindicatos, que "introduz ganhos para os trabalhadores" e abre a negociação, segundo os representantes dos trabalhadores.

Não dando respostas a todas as reivindicações sindicais, o acordo alcançado altera profundamente aquilo que recusámos assinar em dezembro do ano passado, já que introduz ganhos para os trabalhadores, corrige alguns dos desequilíbrios e abre a negociação daquilo que se queria dar como facto consumado", lê-se num comunicado conjunto das estruturas sindicais que lançaram o pré-aviso de greve, cancelado no sábado.

Os representantes dos trabalhadores e a CP assinaram ao final da tarde de sábado um acordo com a administração da CP e, perante os "resultados alcançados", a greve foi desconvocada.

Entre as questões acordadas está a garantia de que todos os trabalhadores que, pela primeira fase de implementação da grelha prevista do Acordo de Dezembro de 2017 (que os sindicatos não assinaram) teriam um aumento inferior a 25 euros, recebem "esse valor com efeitos a 01 de janeiro de 2018".

Este aumento terá com valorização direta nos subsídios de escala e turno, horas noturnas, trabalho em dia de descanso/feriado e outras remunerações", afirmam as estruturas sindicais.

Recorde-se que os quatro sindicatos criticavam que aos "trabalhadores com baixo salários" era proposta "uma tabela em que o índice 100 é de 555,81 euros, abaixo do valor do salário mínimo nacional, que é de 580 euros".

A CP e os sindicatos acordaram também a manutenção em vigor "todo o conteúdo funcional para a Carreira Comercial, nos termos do consignado no Regulamento de Carreiras de 1999".

Além disso, a partir da primeira semana de abril, sindicato e CP dão início a um "processo de revisão" do acordo de empresa e regulamento de carreiras, que terá efeitos a 01 de outubro, criando o que, para os representantes dos trabalhadores, cria uma "nova fase de implementação para corrigir e melhorar a atual situação e assim encontrar soluções de valorização das remunerações mais baixas", como assistentes comerciais, operadores de venda e controlo e operadores de revisão e venda, entre outros.

No acordo assinado hoje entre os sindicatos e a CP, as partes "manifestam a sua recíproca vontade e empenho em continuar a remeter para a contratação colectiva a resolução de problemas de fundo, nomeadamente sobre conteúdos funcionais e enquadramentos remuneratórios".

A posição conjunta foi assinada por quatro associações sindicais – SNTSF (Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Setor Ferroviário)/FECTRANS (Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações), SFRCI (Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante), SINFA (Sindicato Nacional de Ferroviários e afins) e ASSIFECO (Associação Sindical Independente dos Ferroviários da Carreira Comercial).