Os primeiros 24 refugiados recolocados em Portugal ao abrigo do programa da União Europeia chegam hoje ao aeroporto de Lisboa, vindos de centros de acolhimento da Grécia e Itália.

Os 24 refugiados chegam a Portugal divididos em dois grupos: o primeiro, vindo de Itália, aterra no aeroporto de Lisboa às 13:45 e o segundo, da Grécia, às 20:00.

Os 10 refugiados que chegam de Itália vão ser recebidos, no aeroporto de Lisboa, pela ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, e o ministro-adjunto da Presidência, Eduardo Cabrita.

O segundo grupo, composto por 14 refugiados que estão na Grécia, é recebido pelo secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, e pela secretária de Estado da Igualdade, Catarina Marcelino.

Estes 24 refugiados são sobretudo casais, existindo seis famílias com filhos menores e um bebé, e são provenientes da Eritreia, Sudão, Iraque, Síria e Tunísia.

Após chegarem a Portugal, vão ser acolhidos em Lisboa, Cacém, Torres Vedras (Lisboa), Marinha Grande (Leiria), Penafiel (Porto) e Vinhais (Braga).

Estão envolvidas no processo de acolhimento a Câmara Municipal de Lisboa, Conselho Português para os Refugiados, Alto Comissariado para as Migrações, Plataforma de Apoio aos Refugiados, Cruz Vermelha Portuguesa, União das Misericórdias Portuguesas, Serviço Jesuíta aos Refugiados e Fundação Islâmica de Lisboa.

Os 24 refugiados fazem parte dos cerca de 4.500 que Portugal vai receber nos próximos dois anos ao abrigo do Programa de Relocalização de Refugiados na União Europeia.

Esta semana, a ministra da Administração Interna afirmou que os refugiados que chegam a Portugal são objeto de “forte escrutínio”, sendo o processo de recolocação “muito cauteloso”.
 
 

Processo "mais moroso" que o esperado


O presidente do Serviço Jesuíta aos Refugiados, André Jorge, disse hoje que a chegada dos primeiros 24 refugiados a Portugal era já aguardada, mas que o processo foi "mais moroso" do que o previsto.

Mostrando-se satisfeito com a chega dos primeiros refugiados a Portugal, André Jorge referiu que o processo acabou por ser "mais moroso" do que esperavam, mostrando-se confiante de que as pessoas que hoje chegam a Portugal "possam alcançar a tranquilidade e segurança que esperam".

O responsável acrescentou que as instituições - Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR) e Serviço Jesuíta aos Refugiados - estão prontas para acolher os que chegam e para trabalhar com eles, auxiliando-os no processo de inclusão e de integração na sociedade portuguesa.

"Estamos na expectativa e também na esperança de que essas pessoas possam iniciar aqui em Portugal uma nova etapa nas suas vidas", concluiu André Jorge.
 

Portugal pode ser um "porto seguro"


Em declarações à TVI, Rui Marques, porta-voz da Plataforma de Apoio aos Refugiado, acredita que Portugal vai ser um porto seguro para os refugiados que hoje chegam ao país.

"Portugal pode ser esse porto seguro. Por ventura não temos as condições económicas como outros países, mas temos outras que por ventura outros países não têm tão evidentes. Eu creio que os refugiados se vão sentir bem acolhidos em Portugal".

Rui Marques afirmou ainda que o importante agora é que os refugiados "comecem progressivamente a sentirem-se seguras, a sentirem-se bem acolhidas, queridas pela população que as acolhe" e que dêem início ao "seu processo quer de aprendizagem de português, mas também que as crianças possam ter acompanhamento integradas na escola".