A sede da RTP, em Lisboa, foi esta terça-feira alvo de buscas, confirmou a TVI junto de fonte da PGR.

"Confirma-se a realização de buscas no âmbito de um inquérito dirigido pelo Ministério Público do DIAP de Évora."

Segundo o DIAP de Évora, estão a ser investigadas "duas faturas" relativas a um programa da RTP, pagas pela empresa municial Águas de Santarém.

Francisco Moita Flores era comentador pago nesse programa, sendo ao mesmo tempo "dministrador da empresa municipal referida".

Em causa poderá estar em causa um crime de abuso de poder.

Esta terça-feira também houve buscas nos serviços da Águas de Santarém.

Até ao momento, não foram constituídos arguidos.

Contactado pela TVI, Moita Flores recordou o programa televisivo "Justiça Cega", que foi gravado em Santarém e que, na altura das gravações e transmissão, provocou polémica no munícipio.

"Deverá estar relacionado com contratos de apoio à produção desse programa, porque na altura já foi feita uma campanha contra mim por órgãos locais. O Mirante, entre outros, queriam que eu lhes desse publicidade a eles e eu entendi que deveria ter uma publicidade nacional e dei à RTP. Inclusive houve várias denúncias anónimas sobre o caso", começou por dizer.

Francisco Moita Flores diz que os órgãos locais o acusam de estar a receber dinheiro da RTP para fazer publicidade, algo que nega. Aliás, o antigo presidente da Câmara refere que houve um contrato entre a Câmara e a RTP para a realização do programa e que quando entrou o Governo de Passos Coelho esse contrato foi quebrado e mesmo assim o programa continuou a ser feito.

O político mostra-se "surpreendido" com as buscas, mas até realça que serão importantes: "Assim verão o contrato que foi feito e tudo ficará esclarecido".

Francisco Moita Flores foi presidente da Câmara de Santarém entre 2005 e 2012.

A RTP também já confirmou que as buscas realizadas na sede da empresa reportam a factos de 2012, envolvendo a empresa municipal Águas de Santarém e o programa Justiça Cega e que "até ao momento ninguém" foi constituído arguido.

Em comunicado, a "RTP confirma que o Juízo de Instrução Criminal de Évora mandou realizar buscas e apreensões na sede da empresa, durante esta manhã".