Francisco George, diretor-geral de Saúde, disse esta segunda-feira, em entrevista à Antena 1, que Portugal "está perante uma epidemia de sarampo"  e que há neste momento "casos graves e preocupantes" no país. 

"Estamos perante uma epidemia de Sarampo", disse lembrando que actividade epidémica ou surto são sinónimos. 

O responsável ressalvou, no entanto, que em Portugal a vacinação chega a mais de 97% da população e que por isso, apesar do surto e de serem esperados mais casos, Portugal "não vai ter um problema global", isto é, não haverá “uma epidemia em grande escala”.

Até agora, e segundo o último balanço da Direção-Geral da Saúde, já foram notificados 26 casos de sarampo. Em declarações aos jornalistas, na tarde desta segunda-feira, Francisco George precisou que há 15 casos confirmados e 11 sob investigação. 

Dos 15 casos confirmados,  sete são no Algarve e os restantes na região de Lisboa. O único preocupante é o de uma jovem adolescente internada no Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, e que corre perigo de vida.

O diretor-geral falou apenas de um caso grave e explicou que em média por cada 100 casos de sarampo há um “que pode não correr bem”.

“A jovem está estável mas numa condição muito difícil em termos de prognóstico”, disse.

Sobre os adultos contagiados, George explicou que tinham sido vacinados, mas a evolução da doença nestes casos é mais ténue. Pelo menos, quatro funcionários do hospital de Cascais foram contagiados com a doença depois de uma criança não vacinada ter dado entrada nas instalações. 

O diretor-geral de Saúde adiantou que há "casos graves, situações preocupantes" e lembrou que a doença "pode evoluir no mau sentido", nomeadamente para "problemas respiratórios, pneumonias".

 

Hipótese de baixar idade da primeira vacina para antes dos 12 meses está a ser estudada

Francisco George aconselhou a vacinação das crianças a partir dos nove meses e defendeu que em Portugal se devia fazer um debate sobre a vacinação para perceber se há pais que não vacinam os filhos e porque não o fazem. A hipótese de baixar idade da primeira vacina para antes dos 12 meses está, de resto, a ser estudada.

"É incompreensível que um pai ou uma mãe não vacine um filho e decida sobre a sua saúde", disse, defendendo que os pais que não vacinem os filhos sejam penalizados. 

José Gonçalo Marques, pediatra, da comissão técnica de vacinação da DGS, disse que as crianças são o grupo mais afetado no atual surto e salientou que não se trata de uma epidemia no sentido de que a população esteja em risco.

O (combate ao) sarampo requer uma vacinação superior a 95%. Começamos a ter pais que recusam a vacinação dos filhos. Não atingindo os 95% pode afetar algumas pessoas, incluindo as que não podem ser vacinadas, como grávidas ou imunodeprimidos”, explicou.

O especialista também defendeu que é preciso debater a questão da vacinação em Portugal, nomeadamente o direito que os pais têm de não vacinar os filhos mas também o direito que as crianças têm de ser vacinadas.

Os sintomas do sarampo são febres altas, catarro ocular, nasal e oral e manchas na pele. 

As crianças vacinadas não correm risco, assegurou.