O presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo admitiu esta terça-feira dificuldades nos serviços clínicos e de urgência no hospital Amadora-Sintra, que atribuiu a internamentos mais prolongados e à falta de médicos.

«Nós não escamoteamos a verdade. É só graças a um enorme esforço dos profissionais, sejam médicos, enfermeiros ou técnicos, que se consegue dar resposta a uma situação que nós não estávamos habituados. É que o número de doentes que vai aos serviços de urgência não aumentou, mas temos doentes mais graves, doentes mais idosos, mais doentes internados e mais doentes que ficam mais tempo no hospital», disse aos jornalistas Cunha Ribeiro.


Para o presidente da ARS, «se ficam mais tempo no internamento, é mais difícil pegar nos doentes que estão na urgência e interna-los, porque não têm lugar».

Os esclarecimentos da ARS de Lisboa e Vale do Tejo foram feitas em conferência de imprensa por Cunha Ribeiro no dia em que a TVI revelou uma carta de demissão de 28 dos 33 diretores de serviços do Hospital Amadora-Sintra.

A ausência de estratégia para evitar a «contínua degradação das condições de trabalho» no Hospital Amadora-Sintra é um dos motivos apontados pelos 28 diretores de serviço para a sua demissão, numa carta enviada à administração e ao Governo.

Cunha Ribeiro disse que no caso das urgências este hospital tem contornado as dificuldades no internamento de doentes que chegam através das urgências «funcionando em rede», ou seja, encaminhando para outras unidades hospitalares com capacidade para os receber.

Quanto aos restantes serviços clínicos, o presidente da ARS Lisboa admite que há falta de médicos, ainda que já este ano tenha sido autorizada a contratação de 12 novos médicos, e que em 2014 o Hospital Fernando da Fonseca (Amadora-Sintra) tenha contratado 120 novos profissionais de saúde, entre médicos, enfermeiros e técnicos.

De 2013 para 2014 houve, segundo o responsável, uma diminuição de apenas quatro médicos num universo de 400: «Será que quatro médicos, 1% do total, é significativo? Não nos parece. Isso não quer dizer que face à complexidade e tipo de doentes que recorre à urgência, que não se esteja a pedir um esforço acrescido aos colegas, que agradecemos e esperamos que a curto prazo se inverta esta tendência».

No entanto, Cunha Ribeiro admite: «São necessários mais médicos? São, mas aqui não há milagres. Nós não temos médicos que cheguem no país em algumas especialidades.»

O responsável recusa, no entanto, qualquer degradação da qualidade do serviço para além da que resulta dos internamentos prolongados.

«A ARS desconhece qualquer situação que aponte para uma degradação dos cuidados com exceção do número elevado de doentes graves que estão mais tempo internados; mas isto por si só cria um problema grave, não vou negar», disse.


O presidente da ARS Lisboa reconheceu ainda que é urgente aumentar a capacidade das urgências do Amadora-Sintra, referindo que «o hospital está neste momento a fazer um plano de alteração do serviço de urgência» que permita dar resposta ao aumento da procura.

O Hospital Amadora-Sintra vai ter um novo diretor clínico após a demissão de 28 dos 33 diretores de serviço que, entre outros motivos, dizem discordar da atual direção, disse à Lusa fonte oficial.

Fonte da unidade referiu que o diretor clínico, o médico gastroenterologista Nuno Alves, apresentou a demissão do cargo, estando previsto para quarta-feira o anúncio da nova direção clínica da unidade hospitalar.