Ana Rita Cavaco foi a candidata mais votada na eleição de terça-feira para o cargo de bastonário da Ordem dos Enfermeiros para o período 2016/2019, com 38,72 % dos votos, tendo de disputar uma segunda volta com José Carlos Gomes, que obteve 16,06%.

De acordo com os novos estatutos da Ordem dos Enfermeiros, "é eleito bastonário o candidato que obtém metade dos votos mais um, validamente expressos, não se considerando como tal os votos em branco". O anterior regulamento eleitoral, que ainda consta da página oficial da Ordem, datado de março de 2015, refere que se consideram vencedoras "as candidaturas que obtiverem a maioria dos votos expressos".

O mapa de apuramento provisório nacional publicado hoje no ‘site’ do organismo indica que mais de seis mil enfermeiros foram chamados a votar na terça-feira, tendo sido mais votada a candidata que encabeçava a lista E, Ana Rita Cavaco, que venceu também o sufrágio para os órgãos nacionais, com 36,76% dos votos.

A lista E - “Uma Ordem com os enfermeiros” afirma pretender “servir de ponte entre sindicatos e governo para uma remuneração correspondente ao nível da carreira técnica superior e para que se uniformize as 35 horas de trabalho”.

A lista encabeçada por Ana Rita Cavaco propõe-se ainda trabalhar para que volte a existir a categoria de enfermeiro especialista.

A candidata Ana Rita Cavaco lamentou ter de disputar uma segunda volta, depois de ter falhado a maioria dos votos expressos no sufrágio de terça-feira.

Em declarações à agência Lusa, Ana Rita Cavaco, que encabeçou a lista E nas eleições de terça-feira, disse respeitar o facto de ter de disputar uma segunda volta, dado que é isso que os novos estatutos da Ordem dos Enfermeiros e o novo regulamento eleitoral preveem, mas recordou que os seus pares deram um “sinal expressivo” de apoio à sua candidatura.


“Tem de haver [segunda volta], é estatutário. Respeito isso, mas acho que os enfermeiros falaram de forma expressiva. No órgão de bastonário, consegui ter mais votos em todo o país e nas secções regionais”, apontou.


Ana Rita Cavaco considerou, no entanto, que “chega a ser ridículo” verificar que o segundo candidato mais votado vai disputar a eleição para bastonário com alguém que “já ganhou órgãos nacionais e secções regionais”.

“Estamos a falar de uma pessoa que vai a uma segunda volta e que, se eventualmente ganhar, ficará com toda a minha equipa. No fundo, não teria poder nenhum”, sublinhou.


Conforme explicou, os novos estatutos preveem uma segunda volta, no caso de o bastonário não ser eleito na primeira com mais de 50% dos votos.

“Ganhei todos os órgãos nacionais e as secções regionais norte, centro e sul, e ganhei para bastonária em todo país, incluindo ilhas, mas como havia sete candidatos, não passei com 50% + 1. Faço uma grande diferença do segundo candidato, tenho 6.333 [votos], o segundo tem dois mil e pouco, se fosse uma eleição normal já seria bastonária hoje”, sustentou.

De entre as dez listas que se apresentaram às eleições da Ordem dos Enfermeiros, três delas apenas contavam com candidatos às secções regionais, sem nenhum candidato ao cargo de bastonário.

A lista C, liderada por José Carlos Gomes, que tinha como meta descentralizar a ação da Ordem, foi a segunda mais votada para o cargo de bastonário, com 16,06% dos votos, e para os órgãos nacionais, com 15,43%.

A lista de Ana Rita Cavaco foi ainda a mais votada para a Mesa do Colégio de Especialidade em enfermagem comunitária, com 25,48% dos votos, em enfermagem médico-cirúrgica (30,38%), em enfermagem saúde infantil e pediátrica (28,59%) e em enfermagem saúde materna e obstetrícia (25,32%).

A lista C ganhou para o Colégio de Especialidade na enfermagem de reabilitação, com 25,60% dos votos, e na enfermagem de saúde mental e psiquiátrica (22,12%).

De um total de 67.916 votantes, só 16.818 votaram nas eleições de terça-feira, dos quais 6.333 elegeram Ana Rita Cavaco.