Uma águia-imperial-ibérica recuperada no Centro de Estudos e Recuperação de Animais Selvagens de Castelo Branco (CERAS) vai ser reintroduzida, na terça-feira, em Mértola, anunciou o Instituto de Conservação da Natureza.

"No próximo dia 17 de outubro, na zona de Mértola, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e a Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza devolvem à natureza um juvenil de águia-imperial-ibérica recuperado com sucesso no CERAS de Castelo Branco", explica em comunicado enviado à agência Lusa o ICNF.

A jovem cria foi encontrada no dia 18 de junho, debaixo do seu ninho, por um dos técnicos que acompanha os ninhos do núcleo da envolvente do Parque Natural do Tejo Internacional (PNTI), no âmbito da parceria do projeto LIFE Imperial "Conservação da Águia-imperial-ibérica em Portugal".

Este programa tem como objetivo promover o aumento da população da espécie que se julgava extinta desde 1970 até há pouco mais de uma década.

De acordo com o ICNF, a segunda cria do ninho, mais jovem, não conseguiu sobreviver.

"Após cerca de três meses de recuperação no CERAS, a ave recuperou a sua condição física e aos poucos aprendeu a caçar em ambiente de cativeiro. Neste momento, está pronta para ser devolvida ao seu meio natural, num dos locais do país onde ainda se encontram populações de coelho-bravo cuja abundância permitirá a sua sobrevivência na natureza", lê-se na nota.

O ICNF adianta ainda que, após a libertação, a águia-imperial-ibérica será acompanhada continuamente e, se necessário, alimentada até se tornar autónoma.

"Para sabermos sempre onde se encontra e podermos assim atuar em caso de necessidade, no seu dorso será colocado um transmissor GSM integrado numa colaboração com a Fundación CBD-Hábitat", explica.

A águia-imperial-ibérica ocorre exclusivamente na Península Ibérica e constitui uma das aves mais ameaçadas na Europa. Existem cerca de 500 casais em toda a Península Ibérica e, desde 2004, que é alvo de um memorando de entendimento entre Portugal e Espanha para a sua recuperação.

Em 2017, nidificaram 15 casais em Portugal, dentro ou na envolvente das zonas de proteção especial do Tejo Internacional, Erges e Ponsul, de Monforte, de Veiros, de Mourão/Moura/Barrancos, de Castro Verde e do Vale do Guadiana.

"Nestes ninhos nasceram pelo menos 17 crias e, destas, 15 já voaram com sucesso", refere a nota.