O Governo aprovou esta quinta-feira a nomeação da investigadora Maria Arménia Carrondo para presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), sucedendo a Miguel Seabra, que se demitiu há uma semana invocando razões pessoais.

Maria Arménia Carrondo é docente do Instituto de Tecnologia Química e Biológica da Universidade Nova de Lisboa.
A nomeação foi aprovada hoje em Conselho de Ministros.

Cristalógrafa, transforma proteínas em cristais e usa técnicas de difração de raios-X para determinar, com minúcia, e mediante processos matemáticos, a estrutura das proteínas, das moléculas e dos seus constituintes, os átomos, sendo o seu trabalho, por isso, fundamental para o estudo de doenças e o fabrico de medicamentos.

Em 2013, integrou o Conselho Científico para as Ciências da Vida e Saúde da FCT.

É coautora de 154 artigos científicos, tendo sido membro de comissões de avaliação científica do Conselho Europeu de Investigação e da Academia da Finlândia.

Participou na avaliação de várias instituições científicas internacionais, nomeadamente o Laboratório Max-IV, em Lund, Suécia, e o Laboratório Europeu de Biologia Molecular, em Hamburgo, na Alemanha, e organizou o processo de adesão de Portugal ao Laboratório Europeu de Radiação de Sincrotrão, entidade que manobra uma fonte de raios-X para investigação básica e aplicada nas áreas da Física, Química, Ciência dos Materiais e Ciências da Vida.

Desde 2000, é membro da Organização Europeia de Biologia Molecular, tendo recebido o Prémio Câmara Pestana e a Medalha Europeia em Química Bio-Inorgânica.

A Fundação para a Ciência e Tecnologia, entidade pública que subsidia a investigação, sob tutela do Ministério da Educação e Ciência, tem sido alvo de críticas por parte de bolseiros, que se queixam de cortes no financiamento, e, mais recentemente, por centros de investigação, universidades e sindicato do setor, que apontam irregularidades à avaliação que dá direito às unidades científicas de terem fundos para as suas atividades.

A FCT, ainda no mandato de Miguel Seabra, e a tutela têm refutado o desinvestimento na ciência e apontado rigor e transparência à avaliação dos centros científicos.